Estudos apontam efeitos diferentes entre Brasil e exterior após restrições ao uso de aparelhos em sala de aula
Foto: Reprodução/BBC
A proibição do uso de celulares nas escolas começou a mostrar efeitos diferentes entre países e reacendeu o debate sobre o impacto das telas no aprendizado. Enquanto estudos internacionais indicam pouca mudança no desempenho dos estudantes, análises realizadas no Brasil apontam melhora na atenção em sala de aula após a restrição dos aparelhos.
Levantamentos globais, publicados pelo Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas, analisaram mais de 40 mil escolas entre 2019 e 2026, utilizando provas, relatórios disciplinares e pesquisas com professores e estudantes. Os resultados mostraram que a retirada dos celulares não gerou melhora significativa em testes de avaliação.
Os dados também apontaram aumento de problemas disciplinares em alguns casos. Segundo os estudos, o número de suspensões cresceu 16% e houve aumento inicial na ausência de estudantes em sala de aula.
Apesar disso, o cenário brasileiro apresentou resultados diferentes. Após a sanção da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, análises feitas no país apontaram aumento de 83% na atenção dos alunos durante as aulas.
Por outro lado, professores também identificaram efeitos colaterais. Cerca de 49% relataram aumento da ansiedade entre estudantes que passaram a ficar sem os aparelhos durante o período escolar.
O debate ganhou força porque especialistas alertam para o crescimento da dependência digital entre jovens. Estudos citados nas análises indicam que um em cada quatro adolescentes apresenta sinais de vício em telas.
Em Santa Catarina, a restrição ao uso de celulares nas escolas segue a Lei Federal nº 15.100/2025, em vigor desde o início deste ano. A norma proíbe o uso de aparelhos eletrônicos pessoais durante aulas e intervalos em instituições públicas e privadas da educação básica.
O objetivo da legislação é reduzir distrações, proteger a saúde mental dos estudantes e estimular a convivência social dentro do ambiente escolar.
A lei permite exceções apenas para atividades pedagógicas autorizadas pelos professores ou para casos de acessibilidade envolvendo estudantes com deficiência.
O estado já possuía regras anteriores sobre o tema. A Lei Estadual nº 14.363/2008 previa restrições ao uso de celulares em ambientes escolares, medida reforçada com a nova legislação federal.
Além da discussão sobre aprendizado, escolas catarinenses também começaram a perceber mudanças na convivência entre os alunos.
Relatos apontam aumento da interação presencial durante os recreios e redução de casos de cyberbullying. Dados citados nas análises mostram queda de 15% para 11,3% nos registros entre 2019 e 2024.
Mesmo assim, o tema segue dividindo opiniões entre educadores, pais e especialistas, principalmente pelo desafio de adaptar estudantes que cresceram conectados ao ambiente offline dentro das salas de aula.
Em Tubarão, a Câmara de Vereadores aprovou o Projeto de Lei nº 04/2025, que regulamenta o uso de celulares e dispositivos eletrônicos em escolas públicas e privadas do município.
Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.