Santa Catarina lidera exportações brasileiras de carne suína, mas produtores enfrentam custos elevados, perda de rentabilidade e riscos sanitários
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Em entrevista à Rádio Verde Vale 91,9 FM nesta sexta-feira (7), durante o Jornal Verde Vale, o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, avaliou o atual momento da suinocultura no Estado. Responsável por aproximadamente 28% a 30% da produção brasileira de carne suína e por mais da metade das exportações nacionais do produto, Santa Catarina atravessa um período de preocupação no setor, marcado principalmente pela queda no preço pago ao produtor e pela perda de rentabilidade.
De acordo com Lorenzi, o preço do suíno, que chegou a ficar acima de R$ 8 por quilo no início do ano, caiu para cerca de R$ 4,20 em algumas regiões, enquanto o custo de produção permanece na faixa de R$ 6,30 a R$ 6,40 por quilo. O cenário, segundo ele, gera prejuízo significativo aos produtores, mesmo diante do crescimento das exportações brasileiras de carne suína.
A alimentação dos animais segue entre os principais componentes do custo de produção, especialmente por causa dos preços do milho e do farelo de soja. Lorenzi afirmou que o milho tem sido negociado próximo de R$ 70 a saca e destacou que, diferentemente de crises anteriores, o problema atual está relacionado principalmente ao baixo valor recebido pelo produtor, e não a uma disparada dos custos.
Outro ponto de atenção é a sanidade animal. Santa Catarina possui status sanitário diferenciado e mantém acesso a mercados internacionais mais exigentes, mas o avanço de javalis preocupa o setor pela possibilidade de transmissão de doenças, como a peste suína africana. Lorenzi destacou que um eventual problema sanitário poderia provocar a suspensão imediata de mercados compradores e causar forte impacto em uma cadeia que depende cada vez mais das exportações.
Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos produtores, a produção nacional continua em expansão. Para o presidente da ACCS, é necessário buscar maior equilíbrio entre produção, consumo interno e mercado externo, especialmente diante do crescimento das estruturas industriais e da oferta de animais. Atualmente, a atividade envolve cerca de 8 mil produtores integrados e independentes em Santa Catarina, além de milhares de empregos diretos e indiretos, com forte concentração no Oeste do Estado.
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