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SEGURANÇA
27/01/2021 14h52

RS: Kiss, oito anos de impunidade e sofrimento

A tragédia ganhou repercussão internacional. Uma live será transmitida às 20h30 como forma de homenagear os 242 jovens que tiveram suas vidas interrompidas

Uma novela que parece estar longe do fim e gera grande revolta em quem perdeu parentes e amigos. Porém, a dor da saudade é muito mais angustiante. Principalmente para os pais que viram seus filhos, ainda jovens, terem suas vidas interrompidas e de uma forma tão trágica.  


As sequelas também estão presentes em pessoas que conseguiram sobreviver e há pais de vítimas que tiveram doenças agravadas pela dor e morreram. A frase do novo mural grafitado sobre a fachada do que sobrou da estrutura da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul (RS), é: "Kiss, oito anos de impunidade".


O incêndio de grande proporção tirou a vida de 242 jovens, grande parte universitários, na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. O caso ganhou repercussão internacional e acendeu inúmeros debates sobre a segurança nas casas noturnas.


Oito anos depois, o júri popular dos quatro réus ainda não tem data definida. A expectativa é de que ocorra no segundo semestre deste ano. Após dois meses da noite trágica, foi fundada a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.


A entidade reúne pais e familiares que travam uma luta em busca de justiça. Todas as vítimas morreram asfixiadas pela fumaça tóxica liberada pelo fogo que consumia a espuma de isolamento acústico do local.


Nesta data, todos os anos, homenagens são realizadas aos jovens que partiram. Em função da pandemia da Covid-19, hoje (27) o ato será virtual. Uma live será feita às 20h30, mediada pelo jornalista Marcelo Canellas, com a participação dos atores Tony Ramos, Chistiane Torloni, Dira Paes, a autora de teledramaturgia Glória Perez, a mãe de uma das vítimas da tragédia, Ligiane Righi, e o jurista Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul


Durante a madrugada, às 2h30, uma sirene do Corpo de Bombeiros tocou na cidade para lembrar o exato momento em que o incêndio começou, também como forma de homenagear os mortos.

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O processo

No processo criminal, com mais de 85 volumes, os empresários e sócios da boate Kiss, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além do vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor do grupo musical, Luciano Bonilha Leão, respondem por homicídio simples (consumado 242 vezes, por causa do número de mortos) e por 636 tentativas de homicídio, de acordo com o número de feridos.


Ano passado, três dos réus (Elissandro, Mauro e Marcelo) travaram uma batalha judicial vitoriosa para que o julgamento pelo júri popular fosse transferido da comarca de Santa Maria para um foro na capital, Porto Alegre. Em seguida, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) opinou para que Luciano Bonilha também tivesse o desaforamento concedido, embora ele não tivesse requisitado a medida.


Dessa forma, todos os réus poderão ser julgados numa única data e pelo mesmo júri. Entre os argumentos para pedir o desaforamento do caso, os réus alegaram dúvida sobra a parcialidade dos jurados em Santa Maria, por causa da comoção da tragédia, e o ambiente mais distante e controlado da Justiça de Porto Alegre.


A noite trágica

O incêndio na boate Kiss ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013. Um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que apresentava-se ao vivo, acendeu um sinalizador de uso externo dentro da boate, e faíscas do artefato incendiaram a espuma que fazia o isolamento acústico do local. A queima liberou gases tóxicos, como o cianeto, que é letal.


Foi essa fumaça tóxica que matou, por sufocamento, a maior parte das 242 vítimas. E ainda, a boate não possuía saídas de emergência adequadas, os extintores eram insuficientes e estavam vencidos. Muitos foram impedidos por seguranças de sair da boate durante a confusão, por ordem de um dos donos, que temia que não pagassem as contas.



Fonte: Pesquisa: Agência Brasil/Edição Hora Hiper/Foto: Fernando Frazão/AB/Divulgação
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