Criança de dois meses apresentava sinais graves de desnutrição e pesava menos de dois quilos; Polícia Civil apura se houve negligência ou se morte foi causada por doença congênita
Foto: Ilustrativa
A Polícia Civil de São João Batista investiga as circunstâncias da morte de um bebê de apenas dois meses, ocorrida na madrugada desta terça-feira (5). Além do estado físico da criança, que apresentava sinais severos de desnutrição, o comportamento dos responsáveis durante o atendimento do Samu gerou estranheza e foi registrado em relatório policial.
De acordo com a Polícia Militar, enquanto os socorristas tentavam salvar a vida do recém-nascido, os pais demonstraram uma "calma excessiva" e desinteresse pela situação.
Em vez de focarem no atendimento ao filho, eles estariam mais preocupados com tarefas cotidianas, como o preparo de café e horários de trabalho. A mãe, inclusive, não teria interagido com a criança durante todo o procedimento médico.
Suspeita de trote atrasou socorro
A conduta da cuidadora também está sob investigação. Ao realizar a primeira ligação para o Samu, por volta das 3h50, a mulher estaria rindo ao telefone. A atitude fez com que os atendentes pensassem se tratar de um trote, o que acabou atrasando o envio da ambulância.
Quando o socorro finalmente chegou à residência, no bairro Ribanceira do Sul, o bebê já estava em parada cardiorrespiratória há cerca de 20 minutos. Ele foi levado ao Hospital Monsenhor José Locks, mas chegou à unidade sem vida.
O relatório do médico legista revelou dados alarmantes: o bebê pesava menos de dois quilos (entre 1,9 kg e 1,95 kg), peso considerado totalmente incompatível para a idade. O exame apontou exposição da estrutura óssea e mucosas ressecadas, sinais clínicos de desnutrição.
Apesar do quadro, a perícia ainda não confirma se a morte foi causada por negligência alimentar ou por fatores de saúde.
O bebê apresentava fenda palatina e outras malformações no crânio e na mandíbula, condições que podem indicar doenças genéticas e que, naturalmente, dificultariam a amamentação.
A Polícia Civil aguarda exames laboratoriais complementares para determinar a causa exata do óbito e decidir se os pais e a babá serão responsabilizados criminalmente.
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