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SAÚDE
16/02/2026 20h57
Por: Vinícios Redivo

Geração Z enfrenta crise nas habilidades de comunicação, alerta pesquisadora

Jovens relatam ansiedade ao fazer ligações e interagir pessoalmente, enquanto empresas já notam impacto no ambiente de trabalho

Freepik

A psicolinguista americana Maryellen MacDonald, professora emérita da Universidade de Wisconsin-Madison, observou uma transformação significativa em suas salas de aula: os alunos pararam de conversar entre si antes das aulas e passaram a ficar em silêncio, com os olhos fixos nos celulares. Essa mudança a levou a investigar o que considera uma erosão nas habilidades de comunicação da geração Z.



Segundo a pesquisadora, tarefas antes consideradas simples, como telefonar para marcar uma consulta médica ou conversar cara a cara com amigos, tornaram-se desafios para muitos adolescentes e jovens adultos. Embora MacDonald reconheça que nem todos os jovens enfrentem essas dificuldades, ela identifica um padrão de relutância em se envolver em interações presenciais que parece característico dessa geração.



A deterioração não se limita à fala, mas também afeta a escrita e está relacionada à redução dos hábitos de leitura. MacDonald explica que ler é fundamental para compreender como a linguagem funciona, e a consequência natural de ler menos é ter mais dificuldade para transmitir ideias em textos mais elaborados.



Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reforçam essa tendência: em 2022, apenas 36% dos jovens nos países membros relataram interação presencial diária com amigos, uma queda drástica em relação aos 53% de 2006. Pesquisas mostram que os jovens se sentem mais solitários, têm menos amigos, namoram menos e, apesar de desejarem essas interações, a ansiedade os leva a optar por mensagens de texto.



O impacto vai além das relações pessoais e alcança o ambiente profissional. Empresas e gestores manifestam preocupação com a incapacidade de jovens trabalhadores de realizar tarefas básicas como falar com clientes, fazer apresentações ou até saber que linguagem usar em um email. Uma pesquisa mostrou que 65% dos trabalhadores da geração Z não sabem sobre o que conversar com colegas, comparado a 25% entre gerações mais velhas.



Imagem Ilustrativa/Getty Images



 


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MacDonald destaca que falar é um exercício cognitivo importante, com benefícios que vão da atenção e memória à regulação emocional e saúde cognitiva no envelhecimento. Conversar sobre objetivos aumenta o foco mental, falar sobre temas de estudo torna o aprendizado mais eficaz, e verbalizar emoções ajuda a lidar com situações estressantes. A pesquisadora também menciona que manter conversas frequentes protege contra a demência.



Embora os jovens consumam muito conteúdo em vídeos e redes sociais, a especialista enfatiza que apenas compreender o que outros dizem não oferece os mesmos benefícios cognitivos que falar. A produção da fala exige mais esforço mental e, portanto, exercita o cérebro de maneira mais completa.



Entre os fatores que contribuíram para esse cenário, MacDonald cita o isolamento da pandemia de covid-19 em um período crítico de desenvolvimento social, o trabalho remoto, a abundância de entretenimento nos celulares e a superproteção dos pais. Muitos pais, querendo proteger os filhos da ansiedade, acabam realizando tarefas por eles, como fazer ligações telefônicas, privando-os de oportunidades valiosas de prática.



A pesquisadora enfatiza que habilidades linguísticas exigem prática, assim como aprender um esporte ou instrumento musical. Ela cita iniciativas como aulas de "introdução à vida adulta" em universidades americanas e sugere que aulas de oratória, teatro e improviso podem ajudar os mais jovens a desenvolver essas competências.



Para MacDonald, a solução envolve tanto o desenvolvimento de habilidades quanto a criação de oportunidades para conversar. A retirada de celulares das salas de aula, por exemplo, pode facilitar tanto o aprendizado quanto a interação entre alunos. Ela reforça que mesmo quem não teve essas oportunidades no passado ainda pode aprender, mas isso requer uma combinação de prática e, possivelmente, orientação para superar a falta de experiência social nos primeiros anos da adolescência.



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Fonte: BBC Brasil
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