Exumação não identificou fraturas e perícia indica que ausência de lesões ósseas não descarta trauma craniano após agressões na Praia Brava, em Florianópolis
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha não conseguiu determinar a causa da morte do animal, que havia sido agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro.
A exumação ocorreu em 11 de fevereiro e o documento, com 19 páginas, apontou que, embora tenha sido confirmada a morte do animal, a análise dos restos mortais não permitiu afirmar de forma conclusiva qual foi o motivo do óbito. Os peritos destacaram que não foram encontradas fraturas no esqueleto do cão, mas ressaltaram que a ausência de fraturas não exclui a possibilidade de trauma cranioencefálico ou lesões em outras partes do corpo.
Segundo o laudo, a maioria dos traumas cranianos em animais não apresenta fraturas ósseas, ainda que sejam capazes de provocar a morte. O documento também descartou a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do animal, informação que chegou a circular nas redes sociais após o caso ganhar repercussão.
Os peritos identificaram ainda uma área de porosidade óssea na região maxilar esquerda do crânio, compatível com osteomielite, caracterizando um processo infeccioso crônico sem relação com eventual agressão recente. Na coluna vertebral, foram observados osteófitos, compatíveis com espondilose deformante, uma doença degenerativa comum em animais idosos, igualmente sem vínculo com possível trauma.
A análise enfrentou limitações relevantes, já que o corpo do animal se encontrava em estágio avançado de esqueletização, o que comprometeu a avaliação de tecidos moles. Dessa forma, o exame pericial se restringiu à análise minuciosa das estruturas ósseas remanescentes.
O novo laudo integra uma série de diligências solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina à Polícia Civil de Santa Catarina após a conclusão inicial das investigações. O órgão ministerial apontou lacunas no material reunido e requisitou novas informações para formar convicção sobre o caso, incluindo a exumação do corpo do animal.
Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser resgatado por moradores. O cão vivia na região e era cuidado por frequentadores e moradores da Praia Brava, o que gerou grande comoção. Em um laudo inicial, baseado no atendimento veterinário prestado ao animal, a polícia havia indicado que a morte poderia ter sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta.
A investigação tramita em segredo de Justiça por envolver adolescente apontado como autor das agressões, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Ministério Público analisa agora todo o material reunido para decidir se acolhe o pedido de internação do investigado, solicita novas diligências ou promove o arquivamento do caso.
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