Designers da região falam sobre criatividade, mercado e o valor de uma profissão presente em tudo que vemos
Divulgação
Hoje, 27 de abril, é o Dia Mundial do Design Gráfico. Mas você sabe qual é a importância dessa profissão? Para responder essa pergunta, conversamos com dois designers gráficos da região — Luísa Oliveira e Higor Redivo — para entender mais sobre esse trabalho que está presente em tudo que vemos, de embalagens a redes sociais.
Sobre a profissão
A paixão pelo design começa cedo. Higor conta que desde a infância sempre gostou de desenhar e criar histórias, e que a área lhe permitiu trabalhar com criatividade e expressar suas ideias visualmente. Já Luísa tem uma história um pouco diferente: os hobbies de infância eram desenhar e mexer no computador, mas na hora de escolher a faculdade, optou por Agronomia. Foi durante a pandemia que tudo mudou. "Finalmente ouvindo o que eu sempre gostei, me inscrevi na minha nova faculdade e segui essa profissão que amo", conta ela.
Mas afinal, o que faz um designer gráfico? Para Higor, a resposta é direta: "soluciona problemas de comunicação de empresas e profissionais autônomos no mercado". Luísa complementa dizendo que o papel do designer é "desvendar, da melhor e mais bela forma, o que precisa ser dito e compreendido no projeto".
Os projetos favoritos
Higor tem um projeto especial na memória: uma identidade visual para um loteamento em Anitápolis chamado "Refúgio Morro do 50", onde utilizou inteligência artificial para gerar ilustrações e criou um resultado "rústico e rico em detalhes, que expressa de verdade o que é a serra". Luísa, por sua vez, se orgulha da campanha "Caça-Faturas" da Reevisa Energia, que misturou elementos do Halloween e foi além do design, envolvendo vídeos, textos e parcerias. "Foi uma campanha bem com a minha cara", diz ela.
O mercado na região
Os dois concordam: a demanda está aquecida. Higor destaca que cada vez mais empresas e profissionais autônomos estão se posicionando no digital. Luísa reforça que a profissão tem um diferencial importante: "não dependemos apenas da nossa região, conseguimos atender pessoas de qualquer lugar do mundo".
Inteligência artificial: ameaça ou aliada?
Para ambos, a IA veio para agregar, não para substituir. Higor afirma que as ferramentas já fazem parte da rotina há algum tempo e que "ainda estamos só no início". Luísa concorda e resume bem: "o que faz nossa profissão não é simplesmente a ação de criar, mas a visão criativa, e isso a IA ainda não faz. Por enquanto, ela é um ótimo funcionário do designer".
Inspiração e tendências
Na hora de se inspirar, Higor busca referências em projetos premiados, viagens, museus e paisagens. Luísa vai na mesma linha e amplia: "literalmente tudo pode ser uma fonte de inspiração", desde redes sociais até rótulos no mercado.
Sobre tendências, os dois percebem um movimento parecido: o minimalismo exagerado está perdendo força. Higor cita o exemplo da Burberry, que voltou atrás após um logotipo "extremamente simples e sem personalidade". Luísa observa que, com a IA em tudo, o mercado busca o oposto: "materiais com estética mais handmade, colagens, fontes manuais, uma forma de colocar mais personalidade no projeto".

A maior dificuldade
Os dois citam o mesmo ponto: clientes que não seguem as orientações dos profissionais. "Um projeto pode tomar um rumo totalmente diferente por conta de um gosto pessoal do cliente, que não é o público-alvo", lamenta Higor. Luísa complementa: "nem sempre nossa visão criativa vai ser a escolhida, e aí fica difícil ficar satisfeito com o resultado final".
Mensagem para quem quer seguir carreira
Higor aconselha: crie projetos fictícios, analise bons trabalhos, entenda por que eles funcionam e nunca pare de estudar. Luísa é direta: "vai em frente! É uma carreira sem limitações, com investimento inicial não muito alto, e que te abre muitas portas".
Para quem ainda não valoriza o design
Higor deixa um recado importante: as decisões de um projeto são embasadas em pesquisa e estudo. "Não fazemos somente algo bonito, tudo tem uma razão para estar ali. O sobrinho que cobra mais barato vai acabar dando prejuízo no longo prazo."
Luísa fecha com chave de ouro: "quando você compra um produto no mercado sem precisar ler o rótulo por completo, é graças a um designer. Aquela capa de álbum que você ama, foi feita por um designer. Cartazes de filmes? Criados por um designer. Não existe quem não valorize o design, então por que existe quem não valorize o designer?".
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