Biólogo e professor da UniSul fala sobre os principais erros da sociedade, a perda de florestas na região e a relação entre o descuido ambiental e fenômenos como o El Niño
Foto: Ilustrativa/ Divulgação
Celebrado nesta sexta-feira (5), o Dia Mundial do Meio Ambiente chega em um momento de alerta para Santa Catarina. Entre temporais e alertas sobre os efeitos do El Niño, o estado e o país enfrentam consequências de anos de descuido com a natureza. Mas o que cada pessoa pode fazer diante desse cenário? Para o biólogo e professor universitário da UniSul, Rodrigo Ávila Mendonça, a resposta começa com uma mudança de perspectiva.
Segundo ele, o maior erro da sociedade é se enxergar como algo separado da natureza. "A gente sempre divide os animais, as florestas e o homem. Na verdade, nós estamos todos juntos", afirma. Para o professor, enquanto as pessoas não se reconhecerem como parte do meio ambiente, dificilmente vão entender a necessidade de protegê-lo.
Na prática, esse distanciamento se traduz em um problema concreto e crescente: a perda de florestas. Rodrigo aponta esse como o principal vilão ambiental da atualidade, com impactos no clima, na disponibilidade de água e na temperatura.
"A perda de hábitats é algo que é o carro-chefe no mundo todo e na nossa região também", destaca.
Esse cenário, segundo ele, potencializa fenômenos climáticos como o El Niño.
"Nós estamos consumindo recursos naturais de uma forma mais célere do que nós de fato necessitamos. Não dá para somente consumir e deixar que a natureza reponha sozinha, vai demorar muito tempo. Então o El Niño, por exemplo, é uma das consequências dos efeitos climáticos que nós estamos passando e vamos passar com muito mais intensidade no futuro", alerta.
O professor também reflete sobre o que seria diferente se a natureza estivesse mais preservada. Para ele, os ganhos seriam sentidos na saúde e na qualidade de vida da população.
"Problemas respiratórios seriam menores, nós teríamos uma água de qualidade para beber, nós teríamos uma temperatura mais amena, nós teríamos menos problemas climáticos. A qualidade do ambiente está totalmente relacionada com a qualidade da nossa vida", ressalta.

Apesar do diagnóstico preocupante, Rodrigo não encerra a conversa sem esperança. Ele defende que a mudança não precisa ser grandiosa para ser real, e que ela começa literalmente dentro de casa.
"A primeira coisa é cuidar do quintal da gente, ter no nosso quintal árvores, não se incomodar com as árvores que estão nas vias, nas rodovias, porque são elas que melhoram o clima, que deixam tudo melhor para a gente", orienta.
Para o biólogo, a soma de pequenas atitudes individuais, combinada com o cumprimento das leis ambientais e com a exigência de uma urbanização mais equilibrada, ainda pode mudar o rumo.
"Cumprindo com a legislação e a gente fazendo o nosso papel em casa, com certeza a gente pode ter um ambiente melhor e mais saudável para a sobrevivência de todos nós", conclui.
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