Investigação mira suposto uso irregular da frota municipal e falta de transparência em diárias; prefeitura abriu sindicância interna, mas Câmara quer apuração independente
Foto: Divulgação
A Câmara de Vereadores de São Ludgero iniciou os trâmites práticos para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (21), todos os parlamentares em exercício se reuniram com uma assessoria jurídica especializada para alinhar os procedimentos técnicos e legais necessários para a instalação dos trabalhos.
O foco da comissão é investigar o suposto uso irregular de veículos oficiais da prefeitura.
O caso começou a tramitar formalmente no Legislativo no dia 16 de março deste ano, quando o plenário aprovou, por unanimidade, um requerimento da vereadora Maria Marlene Schlickmann. O documento exigia que o Executivo enviasse relatórios detalhados sobre o uso de carros oficiais em datas específicas do ano passado.
Na ocasião, a parlamentar argumentou que os esclarecimentos enviados anteriormente pela prefeitura não batiam com a realidade. A cobrança envolve não apenas o itinerário dos automóveis, mas também o pagamento de diárias, a especificação dos trajetos para fins de empenho e a identificação clara de quem conduzia os veículos, dados que, segundo o requerimento, careciam de transparência.
Rastreamento aponta desvios de rota
O estopim para o pedido de CPI foi o acesso, por parte da vereadora, aos dados de rastreamento de dois veículos da frota municipal: um Chevrolet Onix e um Fiat Siena. Na tribuna e nas reuniões internas, foi apontado que os relatórios de GPS desses carros registraram deslocamentos que, em tese, não possuíam qualquer vínculo com agendas institucionais ou serviços públicos.
A falta de respostas consideradas satisfatórias por parte do Executivo fez com que a maioria dos vereadores passasse a exigir uma investigação mais profunda.
A Prefeitura de São Ludgero instaurou uma sindicância administrativa interna com o objetivo de apurar os fatos relacionados à frota. O movimento, no entanto, não freou a articulação na Câmara. Os vereadores mantêm a postura de que o município precisa de uma fiscalização independente conduzida pelo próprio Poder Legislativo.
Após receberem a consultoria técnica nesta quinta-feira para garantir a blindagem jurídica do processo, os parlamentares devem se reunir novamente nos próximos dias.
O objetivo do novo encontro é finalizar a redação do requerimento de abertura e coletar as assinaturas necessárias para dar início oficial à CPI.
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