Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Buscar
Fechar [x]
SEGURANÇA
15/05/2026 18h55
Por: Letícia Matos

Sul de Santa Catarina registra 477 casos de estupro de vulnerável em um ano

Brasil registra mais de 115 mil vítimas de violência sexual por ano, aponta Atlas da Violência 2025; especialistas alertam para sinais silenciosos e aumento dos crimes contra crianças e adolescentes

Foto: Reprodução/Freepik

O Brasil registra mais de 115 mil vítimas de violência sexual por ano, segundo dados do Atlas da Violência 2025. O cenário reforça o alerta para a necessidade de prevenção, denúncia e fortalecimento da rede de proteção de crianças e adolescentes. O tema ganha ainda mais evidência com o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado na próxima segunda-feira, 18 de maio.



A data mobiliza instituições públicas, profissionais da segurança, saúde e educação para conscientizar a população sobre uma das mais graves violações de direitos da infância. Além da prevenção, a campanha também busca estimular denúncias e ampliar o acolhimento às vítimas.



A delegada regional de Laguna, Vivian Selig, destaca que os números registrados na região Sul de Santa Catarina acendem um alerta importante. Segundo ela, apenas neste ano já foram contabilizados 140 registros de estupro de vulnerável na área que compreende municípios de Paulo Lopes até Passo de Torres.



“No ano passado, aqui na diretoria de polícia do Sul, foram registrados 443 estupros de vulneráveis. No ano de 2024, 477. E como reiterei, são registros de ocorrência e que dependem de uma investigação qualificada e minuciosa para verificar se o fato criminoso efetivamente aconteceu”, afirma.



A delegada explica que o crime de estupro de vulnerável ocorre quando há conjunção carnal ou ato libidinoso com menores de 14 anos. Com alterações legislativas em 2025, a pena passou para reclusão de 10 a 18 anos, além de multa.



Vivian também alerta para crimes cada vez mais comuns envolvendo o ambiente digital e o uso da inteligência artificial. Um dos exemplos citados é o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que criminaliza a simulação de participação de crianças ou adolescentes em cenas de sexo explícito ou pornográfico por meio de montagens, adulterações de imagens ou vídeos.



“É bastante importante nós orientarmos nossos adolescentes e também adultos em face dessa prática criminosa prevista no ECA”, destaca.





Delegada Regional de Laguna, Vivian Selig | Foto: Arquivo Pessoal




 


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O psicólogo Marcos Francisco Madeira explica que o abuso sexual provoca profundas marcas emocionais em crianças e adolescentes, muitas vezes invisíveis aos olhos de familiares e responsáveis. “Esse tipo de crime quebra a sensação de segurança da criança. Ela passa a viver com medo, ansiedade e culpa, mesmo sem ter responsabilidade alguma pela situação”, afirma.



Segundo o especialista, adolescentes vítimas de abuso tendem ao isolamento, queda no rendimento escolar, agressividade e comportamentos de risco. Já entre as crianças, mudanças bruscas de comportamento podem servir como sinais de alerta.



“A criança que era tranquila pode ficar agressiva, medrosa, ter pesadelos ou voltar a fazer xixi na cama. Outro sinal importante é quando ela passa a rejeitar a presença de um adulto específico”, explica.



O psicólogo reforça que os danos emocionais nem sempre deixam marcas físicas aparentes, o que exige atenção redobrada das famílias. “O abuso sexual raramente deixa hematomas. O que machuca é a estrutura emocional da criança e do adolescente”, destaca.



Denúncias podem ser feitas de forma anônima



A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção imediata às vítimas. Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, além dos Conselhos Tutelares e das autoridades policiais.



Especialistas reforçam que o silêncio contribui para a continuidade da violência e que a proteção da infância é responsabilidade coletiva. “Proteger a infância é responsabilidade de todos nós, e o silêncio nunca pode ser maior que o cuidado”, concluiu a delegada Vivian.



A entrevista completa com a delegada regional Vivian Selig e o psicólogo Marcos Francisco Madeira será exibida na próxima segunda-feira (18), no Jornal Hora Hiper de Tubarão - 93.9FM, a partir das 7 horas, em reportagem da jornalista Kauana Mulinari. Confira no canal do YouTube da emissora.



Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.



 


Fonte: Redação
Hora Hiper

Tubarão / SC
Avenida Marcolino Martins Cabral, 1788, Edifício Minas Center, Sala 507, 88705-000, Vila Moema
(48) 3626-8001 (48) 98818-2057
Braço do Norte / SC
Rua Raulino Horn, 305, 88750-000, Centro
(48) 3626-8000 (48) 98818-1037
Hora Hiper © 2020. Todos os direitos reservados.
Política de Privacidade

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.