Investigação apontou acúmulo de gelo, falhas no sistema de degelo e descumprimento de procedimentos de segurança
Foto: Nelson Almeida/AFP
A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass pela queda do avião ATR 72-500 ocorrida em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente, registrado em 9 de agosto de 2024, provocou a morte das 62 pessoas que estavam a bordo.
Os investigados foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Entre eles estão profissionais das áreas de aviação e engenharia aeronáutica, além do proprietário da companhia, José Luiz Felício Filho, e do então diretor de manutenção, Eric Cônsoli.
Após quase dois anos de apuração, o laudo do Instituto Nacional de Criminalística concluiu que a aeronave perdeu o controle em razão do acúmulo de gelo, da inoperância do sistema pneumático de degelo e da execução inadequada de cinco procedimentos previstos para a tripulação.
A investigação também identificou que o avião havia apresentado problemas antes do voo, mas as falhas não foram registradas nos diários de bordo nem comunicadas ao setor de manutenção. Os dados recuperados da caixa-preta apontaram ocorrências anteriores envolvendo o sistema de degelo.
Durante o voo, três alertas relacionados à perda de desempenho da aeronave teriam sido emitidos. Segundo os peritos, os pilotos não realizaram os procedimentos operacionais indicados e também não solicitaram alteração de altitude para deixar a área de formação de gelo.
O relatório apontou uma sucessão de falhas envolvendo diferentes profissionais e setores da companhia. Conforme a perícia, panes graves teriam sido omitidas para evitar que o avião permanecesse parado, enquanto a decolagem teria sido liberada mesmo diante da previsão de gelo severo na rota e de equipamentos inoperantes.
Com a conclusão do inquérito, o caso deverá ser encaminhado ao Ministério Público Federal, que analisará se apresenta denúncia contra os indiciados. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, será iniciado um processo criminal, no qual acusação e defesa poderão apresentar provas e argumentos.
O avião fazia o trajeto entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos quando caiu no quintal de uma residência. Morreram 58 passageiros e quatro tripulantes. Em nota, a Voepass afirmou que sempre adotou padrões de segurança e que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.