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SAÚDE
27/07/2026 21h00
Por: Redação

Casos e mortes por HIV caem no mundo, mas meta de acabar com a Aids até 2030 está ameaçada

Novas infecções caíram 42,9% e mortes recuaram 56% desde 2010; Unaids alerta para desigualdade no acesso, retrocessos em direitos humanos e risco de ressurgimento da epidemia

Testes de HIV | Agência Brasil

O mundo alcançou os menores índices de novas infecções por HIV e mortes relacionadas à Aids em cerca de três décadas. Apesar do avanço, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, alerta que cortes no financiamento e dificuldades de acesso à prevenção podem comprometer os resultados e provocar um novo agravamento da epidemia.



Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, o número de novas infecções caiu 42,9% desde 2010. Foram registrados 1,2 milhão de casos em 2025, contra 2,1 milhões há 15 anos.



As mortes relacionadas à Aids diminuíram 56% no mesmo período, passando de 1,3 milhão, em 2010, para 570 mil no último ano. A ampliação do tratamento antirretroviral foi um dos principais fatores para a redução. A cobertura mundial avançou de 24% para 78% da população que vive com o vírus.



Mesmo assim, aproximadamente 9 milhões das 41 milhões de pessoas que vivem com HIV ainda não têm acesso ao tratamento. A situação é mais grave entre as crianças. Apenas 54% das crianças diagnosticadas recebiam terapia antirretroviral em 2025, deixando mais de 580 mil sem assistência.



Os resultados também permanecem distantes das metas estabelecidas pelas Nações Unidas para 2025. O objetivo era limitar as novas infecções a 200 mil, mas o total ficou cerca de 1 milhão acima do previsto. A meta de reduzir as mortes para 170 mil também não foi alcançada.



O relatório aponta ainda uma crise no financiamento das ações de prevenção. Os recursos internacionais destinados ao combate ao HIV caíram de US$ 8,8 bilhões, em 2024, para US$ 7,3 bilhões em 2025, uma redução de 18% e o menor nível em quase duas décadas. Em diversos países, os cortes atingiram testagens, distribuição de preservativos, programas comunitários e o acesso a medicamentos que ajudam a prevenir o HIV.


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Ao mesmo tempo, novos medicamentos injetáveis, com aplicações mensais ou semestrais, são considerados promissores na prevenção do HIV. O Unaids, no entanto, afirma que os avanços científicos só terão efeito se forem disponibilizados a preços acessíveis e alcançarem as populações mais vulneráveis.



A agência também demonstra preocupação com o aumento da criminalização de trabalhadores sexuais, usuários de drogas, pessoas trans e relações entre pessoas do mesmo sexo. Segundo o relatório, o medo de prisão, violência e discriminação afasta essas populações dos serviços de testagem, prevenção e tratamento.



Para 2030, as novas metas incluem garantir tratamento para 40 milhões de pessoas e prevenção baseada em antirretrovirais para 20 milhões. O cumprimento dos objetivos poderá evitar 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes. Para o Unaids, acabar com a Aids como ameaça à saúde pública ainda é possível, mas dependerá da retomada dos investimentos, da ampliação do acesso aos medicamentos e da redução das desigualdades.



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Fonte: Redação
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