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SAÚDE
08/07/2026 17h17
Por: Letícia Matos

Câncer pode atingir 35 milhões de pessoas por ano até 2050, alerta OMS

Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta aumento acelerado da doença, desigualdade no acesso ao tratamento e faz recomendações para reduzir o impacto global

Foto: Canva

O número de novos casos de câncer no mundo pode chegar a quase 35 milhões por ano até 2050 caso medidas urgentes não sejam adotadas. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira (8) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que publicou o Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026 em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc).



Atualmente, o mundo registra cerca de 20,6 milhões de novos diagnósticos e quase 10 milhões de mortes por câncer todos os anos. Segundo a OMS, a projeção representa um aumento de quase 100% nas próximas décadas, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pelo crescimento de fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e poluição do ar.



O câncer é hoje a segunda principal causa de morte no planeta, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares.



Além da alta no número de casos, o relatório chama atenção para as diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento entre países ricos e pobres.



Nos países de alta renda, a disponibilidade dos 20 medicamentos considerados prioritários para o tratamento do câncer varia entre 68% e 94%. Já nos países de baixa e média-baixa renda, esse percentual fica entre apenas 9% e 54%.



A disparidade também aparece na taxa de sobrevivência. Enquanto 87% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama em países ricos vivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico, nos países de baixa renda esse índice é de aproximadamente 42%.



Outro dado preocupante é o impacto financeiro da doença. Pelo menos 45% das pessoas afetadas pelo câncer enfrentam dificuldades econômicas durante o tratamento.



De acordo com a diretora da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Elisabete Weiderpass, alguns países conseguiram reduzir determinados tipos de câncer graças às políticas de prevenção, mas o avanço ainda é insuficiente diante do crescimento global da doença.



Ela destaca que o perfil do câncer está mudando e que fatores ligados ao estilo de vida e ao ambiente vêm ganhando cada vez mais importância. Entre eles estão o aumento da obesidade, a falta de atividade física, a alimentação inadequada e a poluição do ar.



O relatório aponta que o câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no mundo.



Entre as mulheres, os cânceres de mama, pulmão e colorretal concentram uma parcela significativa dos casos. Já entre os homens, os tipos mais frequentes são os de pulmão, próstata e colorretal.


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Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a sobrevivência de uma pessoa com câncer não deveria depender do país onde nasceu nem da sua condição financeira.



Segundo ele, as desigualdades identificadas no relatório são resultado de escolhas políticas e podem ser reduzidas com ações coordenadas.



Entre as principais recomendações da OMS estão:




  • integrar o controle do câncer à cobertura universal de saúde;

  • investir na formação e valorização dos profissionais da área;

  • fortalecer a proteção social e colocar os pacientes no centro dos sistemas de atendimento;

  • direcionar pesquisas e inovações para as necessidades da saúde pública;

  • garantir acesso igualitário aos tratamentos mais eficazes.



Para a OMS, as decisões tomadas pelos países nos próximos anos serão determinantes para reduzir a carga da doença e salvar milhões de vidas nas futuras gerações.



 



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Fonte: OMS
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