Encontro em Washington marca tentativa de reaproximação após meses de tensões tarifárias; Trump elogiou dinamismo de Lula, mas impasses sobre aço e alumínio permanecem no radar
Foto: Ricardo Stuckert/ PR
O Salão Oval da Casa Branca foi o cenário de um dos encontros diplomáticos mais aguardados do ano. Nesta quinta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estiveram reunidos por cerca de três horas em uma agenda que incluiu um almoço de trabalho com ministros de ambas as nações.
Embora a expectativa inicial fosse de um pronunciamento conjunto no local, a logística foi alterada e o líder brasileiro deve falar à imprensa na embaixada do Brasil em Washington ainda nesta tarde.
Pelas redes sociais, Trump deu o tom do encontro, classificando a conversa como "muito produtiva". O presidente norte-americano, que tem mantido uma postura protecionista rigorosa desde sua volta ao poder em 2025, abordou temas sensíveis que têm afetado a balança comercial brasileira.
"A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", escreveu Trump, que ainda chamou o presidente brasileiro de "muito dinâmico".
Pautas estratégicas e o "nó" das tarifas
A comitiva de Lula desembarcou nos EUA com a missão de destravar barreiras comerciais e fortalecer a cooperação em segurança. Entre os nomes presentes estavam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O foco principal da agenda brasileira é aliviar a pressão das tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio, medidas que Trump retomou em 2025. Embora tenha ocorrido um recuo parcial no final do ano passado, com a substituição do "tarifaço" por uma taxa global temporária de 10%, setores estratégicos da indústria brasileira ainda sofrem com os altos custos de exportação para o mercado norte-americano.
Cooperação no combate ao crime
Nem só de disputas comerciais vive a relação entre os dois países. O encontro também serviu para dar fôlego ao acordo de cooperação mútua anunciado no mês passado, focado no combate ao tráfico internacional de armas e drogas.
A parceria prevê o compartilhamento de informações aduaneiras em tempo real, permitindo que Brasil e EUA identifiquem rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de ilícitos com maior celeridade.
Contexto diplomático
A relação atravessa um período delicado. Além da guerra tarifária que o Brasil levou à Organização Mundial do Comércio (OMC), houve momentos de atrito político em 2025, com críticas de Washington à Suprema Corte brasileira devido a decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O encontro de hoje é visto por especialistas como um esforço pragmático de ambos os lados para estabilizar a parceria entre as duas maiores economias das Américas, separando as divergências políticas dos interesses econômicos e de segurança nacional.
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