Projeções indicam aumento das chuvas, enquanto especialistas divergem sobre a intensidade e reforçam necessidade de preparação
Imagem Ilustrativa/Freepik
O avanço do El Niño para o segundo semestre de 2026 já é tratado como certo por meteorologistas e órgãos oficiais, mas a intensidade e os impactos seguem em debate. O meteorologista Piter Scheuer fez um alerta enfático ao classificar o fenômeno como um possível “super El Niño”, com potencial para superar episódios históricos como o de 1983. Ele afirma que o aquecimento no Oceano Pacífico equatorial está anormal e cobra mais seriedade na comunicação de riscos.
Em contrapartida, o meteorologista Leandro Puchalski adota uma abordagem mais cautelosa. Segundo ele, há certeza sobre a formação do fenômeno entre o inverno e a primavera, com intensidade entre moderada e forte e tendência de intensificação até o fim do ano. No entanto, ele ressalta que a força do El Niño não determina diretamente o volume de chuvas, embora historicamente esteja associada ao aumento das precipitações no Sul do Brasil, especialmente entre a primavera e o verão.
Órgãos oficiais como o Instituto Nacional de Meteorologia e a Epagri/Ciram reforçam o cenário de atenção. Há mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno, com possibilidade de persistência até o verão. Ainda assim, a chance de um evento extremamente forte é estimada em cerca de 25%. Independentemente da intensidade, a tendência é de aumento significativo dos volumes de chuva no Sul, o que exige monitoramento constante.
Apesar do consenso sobre o risco de mais chuva, a principal incerteza está na distribuição dos impactos. Como destaca Puchalski, os efeitos do El Niño não ocorrem de forma uniforme e podem atingir com mais intensidade áreas específicas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou Paraná. Diante disso, especialistas e autoridades recomendam preparação antecipada para eventos extremos, como enchentes e deslizamentos, enquanto as previsões de curto e médio prazo ajudam a refinar os alertas ao longo dos próximos meses.
Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.