Pesquisa apresentada durante encontro científico afirma que substâncias continuam sendo exportadas ao país
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Sete dos dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil são proibidos na União Europeia, segundo dados apresentados pela geógrafa Larissa Mies Bombardi durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada nesta semana, em Niterói (RJ). A pesquisadora estuda o uso de agrotóxicos há cerca de 15 anos e afirma que parte dessas substâncias continua sendo produzida e exportada por empresas europeias para o mercado brasileiro.
Entre os produtos citados estão o mancozebe, o 2,4-D, o acefato, o clorotalonil, a atrazina, o S-metolacloro e o dibrometo de diquate. Segundo a pesquisadora, essas substâncias foram proibidas na União Europeia por riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, como potencial cancerígeno, alterações hormonais e impactos sobre a biodiversidade.
Durante a apresentação, Bombardi também destacou a importância econômica do setor agrícola brasileiro, mas defendeu o fortalecimento da regulamentação sobre o uso de agrotóxicos e o incentivo à agricultura familiar. O Brasil é um dos maiores consumidores de defensivos agrícolas do mundo e, segundo ela, foi o principal destino de exportações de pesticidas proibidos na União Europeia em 2023.
Em nota à Agência Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que cada país possui regras próprias para autorizar o uso de agrotóxicos. O órgão explicou que os produtos registrados no Brasil podem passar por reavaliações sempre que surgirem novas evidências de risco à saúde ou ao meio ambiente. Desde 2006, a Anvisa concluiu 20 reavaliações, resultando no banimento de 13 ingredientes ativos e na imposição de restrições ao uso de outros produtos.
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