Tânia Fogaça e professora Patrícia Gonçalves, do SINTE, relatam obras inacabadas, medo de denúncias e criticam tabela salarial que desestimula a qualificação docente
Divulgação: Portal Hora Hiper
A coordenadora regional do SINTE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina) em Tubarão, Tânia Fogaça, participou de entrevista nesta semana no Jornal Hora Hiper, da Hiper FM 93,9, ao lado da professora Patrícia Gonçalves, integrante da diretoria do sindicato, para abordar a situação das escolas estaduais na região e as principais pautas de luta da categoria. Durante a conversa, elas destacaram que o sindicato realizou visitas em 56 escolas, distribuídas em 15 municípios, antes do início do ano letivo, com o objetivo de verificar as condições estruturais das unidades.
Segundo Tânia, o cenário encontrado preocupa. Em algumas escolas, obras ainda estavam em andamento, com situações críticas como fiação exposta, salas isoladas e falta de estrutura adequada para receber os alunos. Casos foram registrados em municípios como Sangão e Jaguaruna, onde, de acordo com relatos, havia risco até de queda de energia ao ligar equipamentos. Para o sindicato, o período de execução dessas reformas é inadequado, já que coincide com o retorno das aulas.
A coordenadora também chamou atenção para o medo de parte dos profissionais em denunciar problemas. De acordo com ela, muitos professores relatam irregularidades, mas pedem anonimato por receio de represálias. Essa realidade, segundo Tânia, dificulta o levantamento completo das situações enfrentadas nas escolas e reforça a necessidade de apoio coletivo da categoria.
Outro ponto abordado foi a diferença entre o discurso oficial e a realidade encontrada. A dirigente afirmou que a propaganda de que todas as escolas estão climatizadas não condiz com o que foi visto na regional de Tubarão. Em diversas unidades, aparelhos de ar-condicionado ainda não foram instalados ou sequer há estrutura elétrica adequada para o funcionamento.
Além das condições físicas, a entrevista também destacou a insatisfação com a carreira do magistério estadual. Um dos principais problemas apontados é a chamada “compactação da tabela salarial”, que reduz significativamente a diferença de remuneração entre professores com diferentes níveis de formação. Patrícia reforçou que a diferença salarial entre profissionais com graduação, mestrado ou doutorado é pequena diante dos anos de estudo e investimento necessários, o que desestimula a qualificação.
Por fim, o sindicato reforçou que seguirá mobilizado. Entre as principais pautas estão a revisão da tabela salarial e o fim do desconto de 14% aplicado a aposentados. A categoria também pretende intensificar ações junto à Assembleia Legislativa, com mobilizações em Florianópolis e diálogo com deputados, especialmente em um ano eleitoral, buscando avanços nas reivindicações históricas dos profissionais da educação.
Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.