Vice-presidente da Fetrancesc afirma que não há orientação para paralisações em Santa Catarina, apesar da mobilização nacional de caminhoneiros autônomos e da pressão sobre o Senado
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Uma nova mobilização de caminhoneiros autônomos começou nesta segunda-feira (13) em diferentes regiões do Brasil e reacendeu o temor de uma nova greve com impactos no abastecimento. Em Santa Catarina, no entanto, a orientação das entidades que representam o transporte de cargas é de normalidade.
O vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Riberto Lima, afirmou ao Hora Hiper que não existe qualquer orientação para paralisações no estado.
Segundo ele, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Região da Amurel (Setram), a Fetrancesc e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) não receberam qualquer comunicado oficial sobre uma possível greve em Santa Catarina. "Nós não temos nenhuma informação e nenhuma orientação em relação a paralisações. Aqui em Santa Catarina não tem nada definido, a gente não recebeu notícia nenhuma, não recebemos comunicado nenhum e, por parte dos transportadores, não existe essa possibilidade", afirmou.
O movimento nacional é liderado por entidades como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que cobra do Senado a votação da Medida Provisória (MP) do Piso do Frete.
A proposta perde a validade nesta quinta-feira (16) caso não seja votada. A MP foi editada pelo governo federal em março após ameaças de paralisação de caminhoneiros independentes, que reivindicam maior fiscalização do cumprimento da tabela do frete mínimo.
O texto prevê punições para empresas que descumprirem a tabela, incluindo a possibilidade de perda da autorização para contratar serviços de transporte. Também amplia a fiscalização eletrônica realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Na Câmara dos Deputados, o relatório do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) incluiu propostas como piso salarial de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime CLT e anistia de multas aplicadas a participantes dos protestos de 2022.
Apesar das discussões nacionais, Lima acredita que uma repetição das paralisações que marcaram 2018 é pouco provável.
Segundo ele, as conversas sobre manifestações envolvem, principalmente, locais estratégicos, como portos e refinarias, e não bloqueios em rodovias. "Se houver essas paralisações, como está se cogitando em Santos e em portos de Mato Grosso, seriam em locais de concentração, como refinarias e portos de exportação e importação", ressaltou
O dirigente lembra que as multas milionárias aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após bloqueios anteriores ainda são alvo de discussões judiciais, o que desestimula novas interdições nas estradas. "Parar rodovias, como aconteceu em 2018 e 2022, é praticamente impossível. O próprio STF já deixou claro que fará cumprir as penalidades impostas anteriormente".
Para a Fetrancesc, o caminho para atender às reivindicações do setor passa pela negociação política, e não por paralisações.
Segundo Lima, representantes da CNT e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) seguem em Brasília articulando junto ao Congresso Nacional uma solução que contemple transportadoras, embarcadores e caminhoneiros autônomos. "A medida ideal é continuar as conversações em Brasília para construir uma legislação que contemple todos os envolvidos no transporte de cargas", explicou.
Até o momento, não há registro de bloqueios ou paralisações organizadas por transportadoras em Santa Catarina.
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