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GERAL
16/01/2026 13h22

Cidade paradisíaca de SC que cobra R$ 200 de turistas tem surto de diarreia

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram 409 casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. Prefeitura de Bombinhas contesta alta e diz que houve reformulação do sistema de monitoramento

Foto: Cristian Cruz/Prefeitura de Bombinhas

A praia de Santa Catarina conhecida pelas águas cristalinas, pelas paisagens paradisíacas e pela cobrança de uma taxa ambiental que pode chegar a R$ 200 registrou um salto expressivo nos casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) neste início de temporada. Bombinhas, no Litoral Norte do estado, contabilizou 409 ocorrências entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, um aumento de 370% em comparação ao mesmo período da temporada anterior, quando foram registrados 87 casos. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SC).



O crescimento chamou a atenção em meio ao intenso fluxo de turistas que o município recebe durante o verão. Bombinhas é o menor município em extensão territorial de Santa Catarina, com apenas 36 quilômetros quadrados, mas chega a receber mais de 2 milhões de visitantes na alta temporada. A população fixa, de cerca de 25 mil moradores, pode aumentar em até 18 vezes ao longo do mês.



Conhecida como Capital Nacional do Mergulho Ecológico, a cidade abriga três unidades de conservação e possui 39 praias, sendo cinco delas certificadas com o selo Bandeira Azul, o que garante a Bombinhas o posto de município brasileiro com mais praias reconhecidas pelo programa, ao lado de São Francisco do Sul.



Em nota, a prefeitura afirmou que o aumento expressivo nos números não representa, necessariamente, um agravamento real do cenário epidemiológico. Segundo o município, houve uma reformulação no sistema de monitoramento e notificação das doenças, já que o modelo anterior apresentava fragilidades e subnotificação significativa. A inconsistência foi identificada após a análise de prontuários médicos e do volume de atendimentos compatíveis com quadros de diarreia aguda que não estariam sendo devidamente registrados.


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De acordo com a administração municipal, o novo sistema trouxe mais precisão e confiabilidade aos dados, com medidas como padronização dos registros, orientação das equipes de saúde sobre a notificação correta dos casos e aprimoramento dos instrumentos de coleta de informações. “O aumento observado não deve ser interpretado, de forma isolada, como um agravamento real, mas como reflexo direto da melhoria na vigilância epidemiológica”, destacou a prefeitura.



As doenças diarreicas agudas podem ser causadas por bactérias, vírus e parasitas, segundo o Ministério da Saúde. A infecção ocorre principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados, além do contato com objetos, pessoas ou animais contaminados.



Apesar da justificativa oficial, o cenário reacende a preocupação com a poluição e o saneamento básico no município. A mais recente análise de balneabilidade divulgada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), em 9 de janeiro, aponta que 8 dos 17 pontos monitorados em Bombinhas estão impróprios para banho. Nos últimos dias, vídeos que mostram materiais sendo despejados no mar da praia de Quatro Ilhas, que possui selo Bandeira Azul, repercutiram nas redes sociais e motivaram uma manifestação de moradores.



A empresa Águas de Bombinhas, responsável pelo tratamento de esgoto, afirmou que os materiais encontrados na areia eram sedimentos arenosos acumulados dentro das tubulações de drenagem pluvial, descartando despejo irregular de esgoto no local.



Especialistas alertam que o crescimento acelerado do turismo pressiona a infraestrutura da cidade. Para a CEO do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, o aumento do número de visitantes eleva a produção de esgoto e, sem coleta e tratamento adequados, cresce o risco de contaminação e de doenças gastrointestinais. Segundo ela, quando não há tratamento, o esgoto infiltra no solo, alcança rios e acaba sendo despejado no mar.



A própria concessionária informou que apenas 18,21% da cidade está conectada à rede de coleta e tratamento de esgoto, o que corresponde a cerca de 4,5 mil moradores. O dado evidencia o desafio de conciliar o potencial turístico de Bombinhas com a preservação ambiental e o cumprimento das metas de saneamento básico.



 



 



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Fonte: Redação com informações de G1
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