Comissão alerta para déficit histórico no efetivo policial catarinense e pede diálogo com o governo do estado
Divulgação: Portal Hora Hiper
Uma comissão formada por candidatos aprovados no concurso da Polícia Civil de Santa Catarina de 2026 tem se mobilizado para reivindicar o aproveitamento dos chamados "remanescentes", aqueles que atingiram a nota mínima exigida pelo edital, mas não foram convocados para as etapas seguintes por não alcançarem a nota de corte. Em entrevista à Rádio Verde Vale 91,9 FM, Maria Fernanda Kindermann, integrante da comissão, explicou que o grupo acompanhado chega a cerca de duas mil pessoas no canal oficial, enquanto o total de candidatos que atingiram a nota mínima seria de aproximadamente seis mil.
O déficit de policiais civis no estado é um dos principais argumentos levantados pelo grupo. Segundo dados do Portal da Transparência de Santa Catarina, a lei estadual prevê 5.997 cargos na Polícia Civil, mas apenas 3.126 estão ocupados atualmente. Somado a isso, o intervalo de nove anos entre o último concurso, realizado em 2017, e o atual resultou em cerca de novecentas aposentadorias e exonerações, número que, por si só, já supera as trezentas vagas diretas previstas no edital vigente.
A situação nas delegacias ilustra ainda mais a gravidade do problema. De acordo com os levantamentos da comissão, Santa Catarina possui 295 municípios com delegacias, sendo que 131 delas operam com apenas um policial, o equivalente a 45% das unidades. Somando as delegacias com dois policiais, o índice sobe para 58% das unidades com efetivo abaixo do considerado ideal, sobrecarregando os profissionais que já estão em atividade.
Para reverter o quadro, a comissão tem buscado apoio político em diferentes frentes, com vereadores de municípios como Braço Norte já aprovando moções de apoio pela flexibilização da "cláusula de barreira", além de contatos com deputados estaduais, o governador e o delegado-geral da Polícia Civil. Maria Fernanda Kindermann reforça que a intenção não é questionar o modelo adotado pelo estado, mas propor um diálogo para aprimorá-lo, defendendo que aproveitar os candidatos já avaliados seria mais vantajoso do que realizar um novo certame, tanto para o estado quanto para a população catarinense.
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