Experiência da Rede Municipal mostra resultados práticos entre estudantes no momento em que proposta para tornar a educação financeira obrigatória por lei avança no Congresso
Foto: Patrícia Amorim
A aprovação, pelo Senado Federal, do projeto que torna a educação financeira um tema obrigatório nas escolas brasileiras reforça uma iniciativa que já vem apresentando resultados concretos em Tubarão. Enquanto o Projeto de Lei (PL) 2.979/2023 avança no Congresso Nacional, estudantes da Rede Municipal de Ensino já colocam em prática os conhecimentos adquiridos por meio do Programa Din Din – Educação Financeira Pra Valer.
Um dos exemplos foi apresentado durante a cerimônia de certificação dos alunos, realizada nesta sexta-feira (17). Uma estudante contou que, motivada pelas aulas, abriu sua primeira conta bancária e conseguiu economizar R$ 400, demonstrando como o aprendizado ultrapassou a sala de aula e passou a fazer parte do cotidiano.
O relato chamou a atenção de professores, familiares e autoridades presentes, evidenciando o impacto da educação financeira quando aplicada desde os primeiros anos da vida escolar.
Segundo a diretora-presidente da Fundação Municipal de Educação, Marlise Nunes, o caso representa exatamente o objetivo da iniciativa. "Quando uma criança nos conta que abriu sua primeira conta bancária e já conseguiu guardar R$ 400, percebemos que o aprendizado realmente fez sentido. Esse é o maior resultado que poderíamos esperar: ver nossos estudantes aplicando o conhecimento na vida real e influenciando também suas famílias", afirmou.
A certificação reuniu alunos dos 5º e 6º anos das escolas municipais João Paulo I e Francelino Mendes, que concluíram mais uma edição do Programa Din Din.
A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de Tubarão, por meio da Fundação Municipal de Educação, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul). O projeto também conta com a participação de estudantes extensionistas da área de Gestão e Negócios, do Núcleo de Apoio Contábil, Fiscal e Gerencial (NAF) e representantes do Movimento Tributaristas do Sul.
O objetivo é ensinar conceitos como planejamento financeiro, consumo consciente, poupança e organização das finanças pessoais ainda na infância.
A experiência de Tubarão acontece em um momento em que a educação financeira ganha ainda mais espaço no cenário nacional.
Na última quarta-feira (15), o Plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei 2.979/2023, que inclui a educação financeira como tema transversal nos ensinos fundamental e médio.
O texto prevê que os conteúdos sejam trabalhados dentro de disciplinas já existentes, como Matemática, História e Geografia, permitindo que cada escola adapte o tema à sua realidade, sem criar novas matérias na grade curricular.
Embora a educação financeira já faça parte das orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) desde 2017, o projeto busca inserir essa obrigatoriedade diretamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), dando mais segurança jurídica à aplicação do conteúdo.
Como o texto recebeu alterações no Senado, ele retorna agora para nova análise da Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção.
Além da educação financeira, o texto aprovado pelos senadores amplia o escopo da proposta ao incluir conteúdos sobre educação fiscal, previdenciária e securitária.
A intenção é que os estudantes também compreendam o papel dos impostos no financiamento dos serviços públicos, o funcionamento da Previdência Social e conceitos básicos relacionados aos seguros.
Caso a proposta seja definitivamente aprovada, experiências como a desenvolvida em Tubarão poderão servir de referência para escolas de todo o país, mostrando que o aprendizado sobre finanças pode produzir resultados concretos ainda durante a vida escolar.
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