Curta-metragem gravado em Orleans usa relatos históricos para dar voz às mulheres que tiveram papel fundamental na formação das comunidades do Sul catarinense
Foto: Divulgação
O Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, em Orleans, voltou a se transformar em cenário cinematográfico. Desta vez, a unidade da Casa do Colono recebe as gravações do curta-metragem “Vessada”, produção que busca resgatar a memória e destacar o papel das mulheres na história da colonização da região Sul de Santa Catarina.
Dirigido por Bruna Speck, o filme surgiu a partir de uma reflexão feita pelo museólogo do Unibave, Idemar Ghizzo, durante os desdobramentos do longa “Azambuja”, lançado em 2021 e também gravado no Museu ao Ar Livre.
Segundo a diretora, a ideia nasceu após ouvir que o protagonismo feminino ainda permanece pouco retratado na história da imigração. A partir dessa provocação, iniciou uma pesquisa aprofundada que resultou no projeto desenvolvido em parceria com o cineasta Josué Genuíno e adaptado para o edital do Prêmio Catarinense de Cinema.
“Não vamos conseguir abordar todos os aspectos, mas vejo como um primeiro passo para incentivar novas pesquisas focadas no assunto”, destaca Bruna.
Durante o processo de pesquisa, a equipe encontrou um documento produzido há cerca de 42 anos, com entrevistas realizadas com dez moradoras de Orleans. Os relatos descreviam a rotina das mulheres que viveram e trabalharam nas comunidades rurais da região.
De acordo com Bruna, esse material se tornou a base para a construção da narrativa do documentário. “Nossa personagem é uma união de todas elas. Os relatos se tornam a memória de uma mulher contando os acontecimentos da sua vida, o dia a dia dessas mulheres que trabalhavam muito e, muitas vezes, carregavam sozinhas o peso de ser o alicerce da casa”, explica.
A diretora ressalta que os depoimentos históricos foram cruzados com livros e outros estudos sobre o período, permitindo identificar temas comuns e construir uma linha narrativa representativa da realidade feminina na colonização.
Para a diretora do Museu ao Ar Livre, Valdirene Böger Dorigon, produções audiovisuais como “Vessada” ajudam a aproximar o público da história regional.
Segundo ela, além de preservar a memória local, o filme destaca personagens que muitas vezes ficaram à margem dos registros históricos tradicionais. “O destaque são as mulheres que foram invisibilizadas durante o período da colonização”, afirma.
Além do Museu ao Ar Livre, em Orleans, as gravações do curta também estão sendo realizadas em diferentes localidades da região Sul catarinense.
Os cenários incluem:
A produção reúne nomes conhecidos do audiovisual catarinense. Além da direção de Bruna Speck, o projeto conta com:
Realizado pela Genuíno Films, o curta foi contemplado pelo Edital Prêmio Catarinense de Cinema – LPG 2023, da Fundação Catarinense de Cultura.
A estreia de “Vessada” está prevista para novembro e promete lançar um novo olhar sobre a participação feminina na construção das comunidades coloniais do Sul de Santa Catarina.
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