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Vinícios Redivo
09/06/2026 19h06

O 'tubaronense' que vai cobrir a Copa do Mundo

Tem gente que nasce sabendo o que quer. César Augusto é uma dessas pessoas. Natural de Vacaria, no Rio Grande do Sul, ele cresceu apaixonado por futebol e, cedo, percebeu que jogar não era o seu caminho. "Quando eu era moleque, eu era bem pior que os meus concorrentes. E os meus próprios concorrentes não conseguiram chegar ao nível de ser jogador profissional", contou, com sinceridade. Foi aí que a bola passou para outro pé: se não podia jogar, ele iria contar as histórias de quem jogava.

 

A virada aconteceu na escola pública. Professores identificaram nele um talento para a comunicação, para a redação, para o argumento. "Talvez se não fosse essa influência, talvez um professor não chegasse e dissesse: não, César, tu é bom em redação, tu é bom em falar, tu é bom em argumentar. Talvez eu não tivesse virado isso. Então sempre acredito nos professores", disse. Na televisão, os espelhos eram Galvão Bueno, Mauro Naves, Tino Marcos e os locutores da Rádio Gaúcha. Caras que ele um dia viria a conhecer e conviver nas coberturas.
 

Mas antes disso, tinha muito chão pela frente.

 

O começo da carreira foi duro. César bateu em várias portas em Vacaria e não foi ouvido. Foi Tubarão que lhe abriu a primeira oportunidade, através da extinta Rádio Santa Catarina. E a entrada não foi nada fácil. "O Arilton Barreiros, o dono da rádio na época, me falou: César, eu não pago para ensinar. Tu vai ficar aqui um mês aprendendo sem ganhar nada. E eu falei: já era, vamos lá. Estava com sangue nos olhos, querendo aprender." Depois vieram outros veículos de comunicação da região. Tubarão, diz ele com gratidão, foi onde tudo começou de verdade. "Eu me considero um pouco tubaronense. As pessoas de Tubarão sempre me receberam muito bem. Tem gente que eu encontro na rua e falam: ah, você é o César que trabalhava na rádio? Faz cinco, seis anos, e ainda me reconhecem. Eu acho isso muito bonito."

 

Com o tempo, os horizontes foram se expandindo. César morou em Londres por dois anos, teve uma passagem pela Itália, e foi por conta de uma transferência da namorada que chegou até Amsterdã, na Holanda. Nada foi planejado. "A oportunidade apareceu e eu agarrei. Continuo tentando agarrar tudo o que aparece para continuar seguindo esse sonho." Na capital holandesa, construiu uma rotina solitária, porém intensa. Carrega o próprio equipamento, edita o próprio material, envia sozinho. "Às vezes as pessoas veem a galera na TV e pensam que tem um câmera atrás. Na verdade não tem. Todo mundo meio sozinho mesmo."

 

 

Ao longo do caminho, foram chegando os momentos marcantes. Entrevistou Carlo Ancelotti, jogadores da Seleção Brasileira, nomes do Grêmio, clube do coração. "Você vê o Ancelotti olhando para você, entendendo quem você é, ouvindo a sua pergunta. É o maior técnico do mundo, na minha opinião. Foi um momento bem marcante." Mas são as coberturas ligadas ao Grêmio que mexem de um jeito diferente. "Quando eu falo com algum jogador do Grêmio, quando eu estou na Arena, isso sempre me marca. Não é só o meu clube, é o clube do meu pai, do meu irmão, que me fez ser apaixonado por futebol."

 

E agora chegou a Copa do Mundo. A primeira da carreira. O maior sonho. "Eu viveria ela de qualquer jeito, seja como jornalista ou como torcedor. Mas representar a Copa como jornalista é o maior sonho da minha vida." A preparação foi, nas suas palavras, insana. Como jornalista independente, toda a logística e os custos saem do próprio bolso. "A Copa do Mundo é muito cara. Está sendo mais cara do que eu esperava. Mas jornalista que não passa perrengue não é jornalista." Durante o torneio, ele promete mostrar os bastidores reais de uma cobertura independente. "Quero humanizar essa experiência que todo mundo acha que é glamourosa e na verdade não é."

 

Fora das transmissões, César se descreve como um cara simples: gosta de futebol, de viajar e de estar perto da família. E é exatamente a distância da família que pesa mais. "Tem um custo emocional muito grande. Tem vezes que eu penso muito em voltar. E eu só não volto por causa do sonho de continuar buscando o que eu quero na carreira." O suporte de casa, especialmente da mãe, é o que o mantém de pé. "Desde o primeiro dia que eu disse que queria ser jornalista, ela disse que era para eu tentar. A minha mãe é muito importante em toda essa busca."

 

Para o futuro, os planos são claros: um contrato fixo com uma empresa europeia, aperfeiçoar o espanhol, e quem sabe uma mudança para a Espanha, país que mais se assemelha, na sua visão, à cultura brasileira. Mas nenhuma porta está fechada. "Se aparecer alguma coisa no Brasil, não descarto voltar. Vou sempre tentar decidir o que é melhor para a minha carreira."

Para quem sonha em seguir o mesmo caminho, o conselho é direto: "Estudar, fazer contatos e não desistir. Muita gente vai jogar para baixo, vai tentar te descredibilizar. Faz parte do processo. Se tem o desejo de seguir a carreira, tem que batalhar até que uma hora as portas comecem a se abrir. Por mais que demore, uma hora elas começam a se abrir."

 

 

 

 

César Augusto ainda considera estar no começo. A credencial internacional de jornalista tem menos de um ano. Mas a Copa do Mundo já está garantida. E de Vacaria a Amsterdã, passando por Tubarão, a história está só começando.

Vinícios Redivo

Esporte

Vinícios Miranda Redivo, 20 anos, natural de Tubarão. Formado em Técnico em Marketing pelo Senac Tubarão e estudante de jornalismo na Faculdade Uniasselvi. Integrante do Grupo Hiper de Comunicação, tem o esporte como paixão e aposta no jornalismo esportivo como caminho profissional. Nesta coluna, traz semanalmente um olhar sobre o mundo esportivo, das quadras e pistas da Região da Amurel aos palcos do esporte nacional e internacional.

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