Nos últimos dias, o Governo Federal anunciou novas medidas dentro do programa de crédito para micro e pequenas empresas, e a manchete naturalmente chama atenção:
“Empresas poderão acessar até R$ 500 mil em crédito.”
Em um país onde muitas empresas sobrevivem no limite do caixa, uma notícia como essa rapidamente desperta interesse. Mas existe um ponto importante que o empresário precisa entender: crédito não resolve problema de gestão. Crédito apenas compra tempo.
E saber usar esse tempo pode definir quem cresce e quem apenas adia uma crise.
O chamado “novo Pronampe”, dentro das medidas ligadas ao Desenrola para empresas, trouxe mudanças relevantes:
mais prazo, mais carência, maior tolerância para inadimplência e ampliação dos limites de crédito.
Na prática:
* empresas podem ter até 24 meses de carência;
* prazo total chegando a 96 meses;
* tolerância maior para atrasos;
* e operações que podem alcançar até R$ 500 mil, dependendo do porte e análise bancária.
O governo também ampliou o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que reduz parte do risco dos bancos e facilita a concessão do crédito.
Mas aqui começa a parte que pouca gente fala.
Muitos empresários confundem acesso a crédito com geração de lucro.
E são coisas completamente diferentes.
Se uma empresa já opera com:
* margem apertada;
* descontrole financeiro;
* precificação errada;
* despesas desorganizadas;
* ou dependência constante de capital de terceiros…
o crédito apenas prolonga um problema que já existe.
É como colocar combustível em um carro desalinhado: ele continua andando… mas continua desgastando.
Por outro lado, empresas organizadas podem transformar esse movimento em estratégia.
Trocar dívidas caras por linhas mais longas, reorganizar fluxo de caixa, preservar capital de giro e ganhar fôlego para investir pode fazer total sentido — principalmente em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica.
O empresário inteligente não olha apenas para “quanto consegue pegar”.
Ele olha:
* quanto aquilo vai custar;
* como aquilo impacta o caixa;
* e principalmente se a operação vai gerar retorno maior que o custo da dívida.
Porque crédito saudável é ferramenta de crescimento.
Crédito mal utilizado vira dependência.
E talvez essa seja a maior reflexão do novo Pronampe:
o problema nunca foi apenas acesso ao dinheiro.
O verdadeiro desafio continua sendo gestão.

Mauricio Dobiez
Formado em Ciências Contábeis, pós-graduado em Gerência Contábil. Sócio da HOLD Contabilidade, com unidades em Tubarão e Laguna e sócio da Terceirizou - terceirização empresarial, RPV Rent Locação veicular, World Telemedicina, Reevisa Energia Solar e Visto Minas, além de investidor anjo. Foi professor universitário na FUCAP - Faculdade Capivari por 8 anos, encerrando esse ciclo em 2021. Diretor em uma Associação de Proteção Veicular na serra catarinense e outra no oeste do estado. Ex-presidente do Hercílio Luz Futebol Clube Foi diretor de Assuntos Políticos e diretor administrativo da AJET - Associação de Jovens Empreendedores de Tubarão e Diretor de Negócios do CEJESC - Conselho Estadual do Jovem Empreendedor de Santa Catarina. Atual presidente do PSDB Tubarão, Presidente do Lions Club Tubarão e Diretor na Fabsul - Federação de Autorregulamentação, Socorro Mútuo e Benefícios dos Estados do Sul e colunista. Os temas que serão abordados quinzenalmente serão de voltados ao empreendedorismo e gestão de negócios.