Investigação apurou cárcere privado, maus-tratos e associação criminosa em unidade de reabilitação clandestina no município
Foto: Divulgação Polícia Civil
A Polícia Civil de Imbituba concluiu o inquérito que investigou uma série de crimes cometidos em uma clínica de reabilitação irregular no município. Ao final dos trabalhos, nove pessoas foram indiciadas por práticas como cárcere privado, maus-tratos, associação criminosa e fraude processual.
A investigação teve início em outubro, após policiais civis acompanharem uma fiscalização coordenada pela Prefeitura de Imbituba. Durante a ação, diversos internos relataram que estavam sendo mantidos na unidade contra a própria vontade e submetidos a condições degradantes.
As apurações apontaram que os pacientes eram captados de forma violenta. Segundo os relatos, indivíduos vestidos de preto abordavam as vítimas, em alguns casos se passando por policiais, e utilizavam ameaças, força física e até medicamentos para levá-las às clínicas.
No interior das unidades, os internos tinham a saída impedida e eram submetidos a métodos considerados abusivos, como uso de sedativos sem acompanhamento médico, agressões físicas e contenções disciplinares. A alimentação fornecida era descrita como insuficiente, tanto em quantidade quanto em valor nutricional, e a administração de medicamentos ficava, muitas vezes, sob responsabilidade de outros internos.
As investigações culminaram, no dia 2 de dezembro, na deflagração da chamada “Operação Barbacena”. Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão, além do bloqueio de mais de R$ 1 milhão em valores. Dois dos investigados seguem foragidos.
Considerado de alta complexidade, o inquérito reúne mais de 400 páginas de documentos. Ao longo da apuração, 36 pessoas foram ouvidas, entre vítimas, testemunhas e investigados. Também foram apreendidos 11 volumes de documentos durante buscas realizadas em municípios de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Ao final, todos os nove investigados foram indiciados por cárcere privado qualificado e maus-tratos. Três deles também responderão por associação criminosa, enquanto outros dois foram indiciados por fraude processual. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais.
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