Réu explorava sexualmente a vítima e atirou pelas costas após ela recusar convite para ir à sua casa; julgamento ocorreu nesta segunda-feira (3/8)
Foto: Freepik/Ilustrativa
O Tribunal do Júri da Comarca de Criciúma condenou, nesta segunda-feira (3), um homem acusado de matar a tiros uma adolescente de 16 anos em frente a uma casa noturna da cidade. O crime aconteceu na madrugada de 5 de maio de 2023, por volta das 4h20, e o julgamento contou com a presença de familiares e amigos da vítima.
Os jurados acolheram integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e condenaram o réu por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e exploração sexual de menor de idade. A pena foi fixada em 36 anos, 9 meses e 27 dias de reclusão, em regime inicial fechado. Ao fim do julgamento, o juiz negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, e ele deve iniciar o cumprimento da pena imediatamente.
Recusa a encontro terminou em execução
De acordo com a acusação, sustentada em plenário pela promotora de Justiça Anna Flávia Carminatti, o réu e sua esposa exploravam sexualmente a adolescente havia algum tempo, oferecendo dinheiro e presentes em troca de relações sexuais. Na noite do crime, porém, a jovem se recusou a ir até a casa do casal e optou por sair com amigas para uma casa noturna.
Inconformado com a recusa, o homem foi até o estabelecimento e chegou a ameaçar a adolescente ainda dentro do local. Horas depois, quando o evento já estava se encerrando e a vítima deixava a casa noturna acompanhada de outras pessoas, o réu a surpreendeu por trás e disparou diversas vezes contra ela. Atingida por cinco tiros, a adolescente morreu no local.
O atirador não parou os disparos após atingir a vítima: seguiu atirando contra outras pessoas que também deixavam o estabelecimento, totalizando ao menos oito disparos. Um homem foi baleado na perna, o que levou à condenação do réu também pelo crime de tentativa de homicídio.
Qualificadoras aceitas pelo júri
Os jurados acolheram as duas qualificadoras pedidas pelo MPSC para o homicídio: o recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que ela foi baleada pelas costas, sem chance de reação, e o motivo torpe, já que, segundo a acusação, o crime teve origem na recusa da adolescente em encontrar o réu naquela noite.
Outros envolvidos no caso
A esposa do condenado, apontada pela investigação como coautora da exploração sexual da adolescente, já havia sido julgada e condenada anteriormente pelo mesmo crime.
Um segundo homem, que teria auxiliado o réu a chegar até o local do crime e a fugir logo em seguida, ainda será submetido a júri popular, respondendo pelas acusações de homicídio e tentativa de homicídio.
Réu ficou foragido por mais de dois anos
Após o crime, o condenado permaneceu foragido por mais de dois anos, até ser localizado e preso em outubro de 2025, no Rio Grande do Sul. A captura permitiu o prosseguimento da ação penal e, agora, o julgamento e a condenação.
Em declaração após a sessão, a promotora Anna Flávia Carminatti destacou o significado da condenação para a comunidade local:
"Essa resposta da sociedade foi importante para mostrar que a população de Criciúma não aceita o cometimento deste tipo bárbaro de crime. Aproveito para destacar o importante papel da Polícia Civil, que não mediu esforços para localizar o réu, que ficou por dois anos foragido, e somente com esse trabalho em equipe foi possível responsabilizar o principal autor deste delito. Hoje a família da vítima pode descansar sabendo que o acusado responderá por aquilo que ele praticou."
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