População carcerária cresceu 6% em 2025 e sistema acumula déficit de mais de 281 mil vagas
Divulgação: Agência Brasil
O Brasil pode alcançar a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027, caso seja mantida a tendência de crescimento registrada nos últimos anos. Em 2025, a população carcerária chegou a 964.668 pessoas em penitenciárias e delegacias, aumento de 6% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026.
Uma projeção elaborada pelo Portal g1 e validada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que um crescimento médio de aproximadamente 2% em 2026 e 2027 já seria suficiente para o país atingir a marca. Entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou 314,5%, enquanto a média de crescimento na última década foi de 3,3% ao ano.
O avanço agrava a superlotação do sistema prisional brasileiro. Em 2025, o país possuía 679.763 vagas, o que representa um déficit de 281.213 lugares. O levantamento também mostra que cerca de um em cada quatro presos ainda aguardava julgamento, situação que amplia a pressão sobre as unidades e dificulta a garantia de direitos e a reintegração social.
Os homens representam 94% da população carcerária, mas o número de mulheres presas alcançou o recorde de 57.222 em 2025. Em dez anos, a população prisional feminina cresceu 43,7%, percentual superior ao registrado entre os homens. O levantamento aponta ainda que 69,6% das pessoas presas eram negras, maior proporção da série histórica, enquanto 29,2% eram brancas.
As mortes dentro das unidades prisionais também apresentaram crescimento expressivo. Entre 2016 e 2025, 23.942 pessoas morreram no sistema carcerário brasileiro, considerando todas as causas. Somente em 2025, foram registrados 3.318 óbitos, maior número da série histórica. Problemas de saúde e causas naturais aparecem entre os principais motivos, indicando dificuldades no acesso a atendimentos médicos.
O Brasil também contabilizou 10.218 presos com algum tipo de deficiência em 2025. Apesar disso, quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuíam celas ou módulos adaptados. O Anuário aponta ainda que apenas 21,6% da população carcerária participava de atividades de trabalho e ocupação voltadas à reabilitação e à reintegração social.
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