Levantamento do Ministério Público aponta 42 tipos de pesticidas em água potável, incluindo cinco proibidos no Brasil
Agência Brasil
Um levantamento do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou que mais da metade dos municípios catarinenses consome água com presença de agrotóxicos. Das 155 cidades analisadas entre 2018 e 2023, a região Sul do estado se destacou negativamente, com 35 de 46 municípios (76,1%) apresentando registros de resíduos químicos nas águas potáveis.
Ao todo, foram identificados 42 tipos de agrotóxicos, sendo cinco deles proibidos no Brasil, como benomil, carbofurano e metolacloro. O estudo apontou ainda que a contaminação não se restringe à água: o solo e o ar também apresentam resíduos desses produtos, evidenciando o impacto ambiental amplo do uso indiscriminado de pesticidas.
Algumas cidades da região Sul e do Vale do Itajaí registraram múltiplos tipos de substâncias ao mesmo tempo. Em Ituporanga, foram encontrados 23 ingredientes ativos, e em Imbuia, 17, incluindo dois proibidos desde 2019. Especialistas alertam que mesmo concentrações dentro dos limites legais podem oferecer riscos à saúde devido ao chamado “efeito sinérgico”, quando diferentes substâncias interagem e aumentam os impactos.
O MPSC, em parceria com a Diretoria de Vigilância Sanitária de SC e equipes de saúde, pretende criar grupos de trabalho para conscientizar a população sobre o uso seguro de agrotóxicos e fortalecer a fiscalização. Apesar dos achados, órgãos como a Casan afirmam que não identificaram contaminação na água distribuída e mantêm monitoramento semestral.
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