Em entrevista à Rádio Verde Vale, o pediatra Dr. Odivan José Rabelo Varela explicou a importância da primeira hora após o nascimento, destacando o contato pele a pele, o início da amamentação e a necessidade de apoio às mães nesse período
Foto: Freepik/Ilustrativa.
A primeira hora após o nascimento, conhecida como “Hora de Ouro”, é considerada um período importante para a adaptação do recém-nascido à vida fora do útero, além de contribuir para o vínculo entre mãe e bebê e para o início da amamentação. O tema foi abordado pelo pediatra Dr. Odivan José Rabelo Varela em entrevista à Rádio Verde Vale na manhã desta quinta-feira, dia 13.
Segundo o médico, os primeiros 60 minutos são marcados por mudanças na fisiologia do bebê e exigem acompanhamento da equipe de saúde.
“É o momento de transição onde a criança precisa se estabelecer, se adaptar a essa nova forma de vida. É um momento muito importante, um momento crítico para a sobrevivência da criança.”
Nesse período, quando as condições clínicas permitem, a equipe busca colocar o bebê em contato com a mãe e iniciar a amamentação. A “Hora de Ouro” também está relacionada ao Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
Contato entre mãe e bebê
O contato pele a pele logo após o nascimento pode contribuir para a adaptação do recém-nascido e para o estabelecimento do vínculo entre mãe e filho. A amamentação também provoca a liberação de hormônios que participam da recuperação materna após o parto.
“Quando a gente fala em amamentação, quase sempre vem a primeira coisa à nossa mente: o bebê. Falamos de nutrientes, de imunidade, do crescimento, do desenvolvimento, mas existe uma outra história que também precisa ser contada: que a amamentação também cuida da mãe”, explicou o pediatra.
Entre os hormônios envolvidos está a ocitocina, relacionada à ejeção do leite, à contração do útero e ao vínculo materno.
O médico ressalta, porém, que a amamentação pode ser acompanhada de dor e dificuldades, especialmente nos primeiros dias.
“Precisamos dar essa atenção, principalmente, à mãe. Então, quando a gente fala em amamentação, muitas vezes a gente pensa de imediato no bebê, e uma das partes mais importantes nessa questão, sem dúvida nenhuma, é a mãe.”
Existem situações em que o contato pele a pele e a primeira mamada precisam ser adiados. Isso pode ocorrer quando a mãe apresenta alguma condição que contraindique a amamentação ou quando o recém-nascido precisa de atendimento imediato.
O pediatra cita como exemplo bebês prematuros que não apresentam condições clínicas para sugar logo após o nascimento.
“Quando essas situações exigem um cuidado imediato com o bebê, a necessidade de fazer com que a proteção da criança naquele momento seja mais importante do que o ato de amamentar em si.”
Após a estabilização, a equipe busca restabelecer o contato e iniciar a amamentação de forma segura.
Outro fator que pode dificultar o aleitamento é a pega inadequada. Segundo Odivan, quando o bebê suga apenas o mamilo, pode causar fissuras e dor na mãe, além de não conseguir retirar o leite de maneira eficiente.
O pediatra explica que o bebê deve abocanhar uma parte maior da aréola.
“Se a criança ficar só no mamilo, só no bico do seio, acaba machucando a mãe, a criança se esforça e acaba não tendo uma amamentação eficaz.”
Condições como frênulo lingual, conhecido como “freio da língua”, também podem interferir na sucção e são avaliadas pela equipe de saúde.
Durante a entrevista, o pediatra também falou sobre uma dúvida comum entre as mães: a ideia de que existe leite materno “fraco”.
“Isso é um mito, não existe leite fraco.”
Segundo ele, o que pode acontecer é uma produção insuficiente para a demanda da criança em determinado momento. A composição do leite materno muda naturalmente conforme as necessidades do bebê.
Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres durante o início da amamentação, Odivan reforçou a importância da rede de apoio.
“Amamentar é mais do que dizer para a mãe que ela precisa amamentar. Já é uma cobrança muito grande das próprias mães.”
Para o pediatra, familiares e profissionais de saúde devem oferecer acolhimento e orientação, evitando que a mulher se sinta culpada quando enfrenta dificuldades.
“Evitar essa sensação muitas vezes de culpa, de sentimento de que não está sendo suficiente. Quem está ao lado delas, a gente precisa criar uma rede de apoio, promover, proteger e não cobrar.”
A entrevista completa com o Dr. Odivan José Rabelo Varela foi realizada pela Rádio Verde Vale e abordou ainda o uso de chupeta e mamadeira, a frequência das mamadas e a relação entre amamentação e desenvolvimento neurológico da criança.
Receba as principais informações do portal em nosso grupo de leitores do WhatsApp. Entre aqui.