Documento do Cenipa identifica 19 fatores que contribuíram para a queda da aeronave em Vinhedo e destaca problemas operacionais e de manutenção
Divulgação: Cenipa
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (24) o relatório final sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. O documento aponta 19 fatores que contribuíram para o acidente, entre eles falhas da tripulação, problemas na organização da empresa e fiscalização considerada insuficiente por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
De acordo com a investigação, os pilotos tinham conhecimento da possibilidade de formação de gelo intenso durante o voo, mas essa informação não foi registrada nem repassada antes da decolagem. O Cenipa também constatou que deixar de anotar problemas no registro de manutenção da aeronave era uma prática recorrente na empresa. A análise de mais de 1,2 mil voos mostrou que esse comportamento fazia parte da rotina de diferentes equipes, o que dificultava a realização de reparos e outras medidas de segurança.
O relatório também aponta que a Anac já havia identificado irregularidades na Voepass entre 2022 e 2024, como falhas de manutenção sem registro, uso de equipamentos inadequados e reparos realizados em locais sem estrutura adequada. Apesar das fiscalizações e das punições aplicadas, como suspensão de rotas, aeronaves e funcionários, o Cenipa concluiu que as medidas não foram suficientes para reduzir os riscos e evitar a continuidade das operações.
Em nota, a Voepass afirmou que o acidente representa o momento mais difícil da história da empresa e informou que continua prestando apoio psicológico às famílias das vítimas. O relatório tem caráter preventivo e não aponta culpados nem define responsabilidades civis ou criminais, mas servirá de base para as investigações da Polícia Federal e para os trabalhos da comissão do Congresso que acompanha o caso.
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