Estimativas variam entre US$ 6,7 bilhões e US$ 20 bilhões, enquanto recursos anunciados ainda ficam muito abaixo do necessário
Divulgação: Reuters
A Venezuela terá pela frente um longo e caro processo de reconstrução após os terremotos registrados em 24 de junho, que atingiram Caracas e estados do norte do país. Além de milhares de mortos e feridos, a tragédia destruiu moradias, estradas, redes de energia e outras estruturas essenciais.
O custo total ainda não pode ser calculado com precisão, já que o levantamento dos danos continua. Uma estimativa inicial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta prejuízos físicos diretos de US$ 6,7 bilhões, aproximadamente R$ 36,2 bilhões. O valor pode variar entre US$ 4,7 bilhões e US$ 8,7 bilhões.
As projeções aumentam quando são considerados os trabalhos de reconstrução de longo prazo. O economista venezuelano Asdrúbal Oliveros calcula que serão necessários entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões, o equivalente a até R$ 81 bilhões. Já a consultoria Ecoanalítica estima um custo próximo de US$ 20 bilhões, cerca de R$ 108 bilhões.
Os recursos serão usados na recuperação de moradias, rodovias, redes elétricas, comércios, sistemas de transporte e serviços públicos. Antes disso, o país ainda precisa manter o atendimento aos feridos, garantir abrigo e alimentação aos desabrigados, identificar as vítimas e prestar assistência às crianças que ficaram órfãs.
O desastre atingiu uma economia que já enfrentava anos de crise. Entre 2014 e 2021, o Produto Interno Bruto venezuelano encolheu mais de 70%, em meio à queda da produção de petróleo, aos desequilíbrios fiscais e à hiperinflação. Antes dos terremotos, mais de 5 milhões de pessoas já precisavam de assistência alimentar urgente.
Até o momento, os recursos anunciados estão muito abaixo das estimativas. O governo venezuelano informou que destinará US$ 200 milhões à reconstrução. Os Estados Unidos prometeram mais de US$ 300 milhões em ajuda humanitária, enquanto China e Nações Unidas anunciaram, respectivamente, US$ 17 milhões e US$ 15 milhões.

Especialistas avaliam que o governo não terá condições de assumir sozinho o custo das obras. O país enfrenta dificuldades para conseguir empréstimos porque está em situação de inadimplência desde 2017, acumula uma dívida pública estimada em US$ 170 bilhões e ainda sofre os efeitos das sanções internacionais.
A obtenção de novos recursos também dependerá da confiança de organismos internacionais e países doadores. Economistas defendem a criação de uma autoridade independente para administrar o dinheiro, estabelecer prioridades e garantir transparência. Mesmo com financiamento externo, a recuperação das regiões atingidas deverá levar anos e exigirá profissionais qualificados e acompanhamento permanente.
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