IPCA ficou em 0,07% em julho e acumulou 4,44% em 12 meses; Copom avalia que cenário ainda exige política monetária restritiva
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A inflação oficial do país desacelerou pelo quarto mês consecutivo e ficou em 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 4,44% em 12 meses e voltou a ficar dentro do intervalo da meta estabelecida pelo governo.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%. Em maio e junho, o índice acumulado em 12 meses havia ultrapassado o limite superior, chegando a 4,72% e 4,64%, respectivamente. Para o fim de 2026, porém, o mercado financeiro ainda projeta inflação de 5,02%, conforme o Boletim Focus.
A queda dos preços dos alimentos foi um dos principais fatores para a desaceleração em julho. O grupo alimentação e bebidas registrou deflação de 0,67%, enquanto a alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata. Tomate, batata-inglesa e cenoura tiveram algumas das maiores reduções de preços. Em sentido contrário, a energia elétrica subiu 3,09% e foi o item com maior impacto de alta no índice.
Apesar da melhora nos indicadores, o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que o cenário ainda exige cautela. Na ata da reunião em que a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida para 14% ao ano, o Banco Central afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo do centro da meta.
Segundo o Copom, a política monetária vem contribuindo para o processo de desinflação, mas a inflação ainda apresenta pressões relacionadas à demanda. Por esse motivo, o Banco Central entende que os juros precisam permanecer em nível considerado restritivo. A instituição também citou riscos relacionados ao crescimento do crédito direcionado, à dívida pública e às incertezas no cenário internacional.
O Banco Central também identificou sinais de desaceleração gradual da atividade econômica brasileira, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido e o desemprego esteja em níveis historicamente baixos. No cenário externo, conflitos no Oriente Médio, dúvidas sobre os juros em economias avançadas e incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos continuam sendo apontados como fatores que exigem prudência.
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