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GERAL
06/07/2026 18h40
Por: Redação

El Niño pode atingir Santa Catarina com força: Alesc debate riscos e cobra preparação dos municípios

Especialistas apontam mais de 80% de chance de formação do fenômeno entre julho e agosto, com possibilidade de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos

Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc

Santa Catarina intensificou os debates sobre a preparação para um possível cenário de eventos climáticos extremos provocados pelo El Niño. Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (6), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), representantes do governo estadual, prefeitos, coordenadores municipais de Defesa Civil e especialistas discutiram as ações necessárias para reduzir os impactos previstos para o segundo semestre de 2026.



O encontro, promovido pela Comissão de Defesa Civil e Desastres Naturais da Alesc, teve como foco o fortalecimento da integração entre Estado e municípios, além da atualização sobre os prognósticos climáticos, planos de contingência, protocolos de prevenção, acesso a recursos emergenciais e estratégias de mitigação.



Dados apresentados pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil indicam que existe mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño entre julho e agosto deste ano. A expectativa é que o fenômeno ganhe intensidade ao longo da primavera e do verão.



Caso o cenário se confirme, Santa Catarina poderá enfrentar chuvas acima da média, aumentando o risco de enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra e outros desastres naturais.



Durante a audiência, o meteorologista Leandro Puchalski, colunista do Portal Hora Hiper, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando o clima em diversas partes do planeta.



Segundo ele, no Sul do Brasil, o principal reflexo costuma ser o aumento significativo das chuvas entre a primavera e o início do verão.



Apesar do alerta, Puchalski destacou que isso não significa chuva contínua em todas as regiões do estado. "A definição das áreas mais afetadas depende das previsões de curto e médio prazo, que precisam ser acompanhadas constantemente", afirmou.



O meteorologista também chamou atenção para a velocidade de formação do fenômeno neste ano. "O El Niño começou antes do período normalmente esperado e ganhou força rapidamente. A tendência é que alcance intensidade forte ou muito forte ainda no fim do inverno ou início da primavera. Isso exige atenção dos órgãos de monitoramento, embora intensidade maior não signifique, necessariamente, mais estragos."



Representando a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), o consultor em Defesa Civil Márcio Luiz Alves destacou que a conscientização da população é uma das principais ferramentas para reduzir danos em situações de emergência.



Segundo ele, além das campanhas de orientação, é fundamental que os municípios mantenham rios, valas e sistemas de drenagem limpos para facilitar o escoamento da água e diminuir o risco de alagamentos.


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O diretor de Gestão de Riscos da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, Luís Eduardo Machado, afirmou que o governo estadual já reforça sua estrutura para uma eventual resposta aos eventos climáticos.



Ele destacou que as bacias hidrográficas do Vale do Itajaí e do Rio Tijucas continuam entre as áreas de maior atenção, embora o monitoramento seja realizado em todas as regiões catarinenses.



Segundo Machado, as barragens permanecem como uma das principais prioridades neste momento. "Estamos ampliando nosso centro logístico, reforçando contratos e fortalecendo toda a estrutura operacional para responder rapidamente caso seja necessário."



O diretor também alertou para um cenário considerado mais complexo: períodos prolongados de chuva. "O Estado está preparado para responder a eventos súbitos. O grande desafio é enfrentar semanas consecutivas de chuva sem ficar restrito apenas à fase de resposta, conseguindo avançar também para as etapas de mitigação e reconstrução", afirmou.



Ao reunir especialistas, gestores públicos e representantes municipais, a audiência pública buscou alinhar estratégias para que Santa Catarina esteja mais preparada diante de um possível El Niño de forte intensidade.



A expectativa é que a integração entre Estado e municípios permita respostas mais rápidas, redução dos danos e maior segurança para a população caso os prognósticos climáticos se confirmem.



 



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Fonte: Agência Alesc
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