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GERAL
10/06/2026 15h21
Por: Redação

Cota da tainha é ampliada apenas para o Norte de SC; biólogo diz que medida ajuda a recuperar a espécie

Enquanto o Norte ganha nova cota de captura, especialista defende equilíbrio entre a recuperação dos estoques de tainha e a atividade pesqueira catarinense

Foto: Divulgação

O governo federal anunciou que vai ampliar a cota de captura da tainha na modalidade tradicional de arrasto de praia para pescadores artesanais do Norte de Santa Catarina. A medida ocorre após a suspensão temporária da pesca, motivada pela proximidade do limite de captura autorizado para a temporada.



A decisão, no entanto, não contempla o Sul do estado, região onde a pesca da tainha tem forte importância econômica, cultural e turística.



A suspensão da modalidade havia sido divulgada no último fim de semana, quando o governo informou que o limite coletivo autorizado já havia atingido 90% da cota estabelecida para a temporada, o equivalente a 1.198,8 toneladas.



Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a ampliação foi definida apenas para o Norte catarinense porque os cardumes chegam mais tarde à região. Historicamente, a migração da tainha começa pelo Sul e avança para o Norte ao longo dos meses de junho e julho.



Apesar do anúncio, a liberação ainda depende da publicação de uma portaria conjunta entre o Ministério da Pesca e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.



Ponto de vista biológico



Para o biólogo e professor da Unisul, Rodrigo Ávila Mendonça, as cotas têm apresentado resultados positivos do ponto de vista ambiental.



“O que se observa nos anos anteriores, com as cotas já estabelecidas, é que ano após ano as populações estão aumentando significativamente. E esse ano nós tivemos um recorde na quantidade de tainhas na região. Isso é porque o governo está fazendo um manejo populacional dessa espécie”, explica.



Segundo ele, o controle da captura ajuda a garantir a recuperação dos estoques pesqueiros e evita que a espécie sofra uma redução excessiva ao longo dos anos.



“Do ponto de vista biológico, o manejo controlado das espécies é bastante importante, porque tende a garantir que as populações não sejam exterminadas e que as cotas populacionais voltem a se restabelecer na nossa região”, afirma.


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Por outro lado, o professor destaca que as restrições também trazem impactos para quem depende da atividade.



“Do ponto de vista dos nossos pescadores artesanais e até mesmo da pesca industrial, haverá impactos significativos, porque a partir do momento que você tem uma maior restrição na captura destes animais e consequentemente no beneficiamento e no comércio deles, a gente tem um giro econômico menor”, avalia.



Rodrigo defende que decisões relacionadas às cotas sejam discutidas de forma ampla com as comunidades pesqueiras.



“Santa Catarina tem uma pesca bastante forte de tainha, cultural, e movimenta bastante a economia e o turismo. É bastante importante que haja um movimento político e técnico para que se chegue a um denominador comum”, diz.



A pesca de arrasto de praia é considerada patrimônio cultural de Santa Catarina e tradicionalmente ocorre entre maio e julho. Neste ano, os primeiros dias da temporada foram marcados por grandes lanços e elevado volume de captura em várias praias do estado.



De acordo com o governo federal, o sistema de cotas tem como objetivo evitar a pesca predatória e garantir a reprodução da espécie, permitindo a manutenção dos estoques para as próximas temporadas.



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Fonte: Redação
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