Quarto corte consecutivo leva taxa básica ao menor nível desde março de 2025; juro real brasileiro ficou em 9,30%
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por unanimidade e já era esperado pelo mercado financeiro.
Esta foi a quarta redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira. Com a decisão, a Selic alcançou o menor patamar desde março de 2025, após pouco mais de um ano acima desse nível.
Apesar do novo corte, o Brasil permanece com o maior juro real do mundo. Segundo levantamento da MoneYou, empresa especializada em consultoria econômica e informações do mercado financeiro, o juro real brasileiro ficou em 9,30%.
A Rússia aparece na segunda posição do ranking, com juro real de 9,09%. Na sequência estão a Colômbia, com 6,16%, e a Argentina, que ocupa o quinto lugar da lista, com taxa real de 4,51%.
O juro real representa o rendimento da taxa de juros depois de descontada a inflação esperada. Dessa forma, mesmo que um país tenha juros nominais elevados, a taxa real pode ser menor quando a projeção de inflação também é alta.
No ranking dos juros nominais, que não desconta a inflação, o Brasil aparece na terceira posição, ao lado da Rússia, com 14% ao ano. A Turquia lidera a lista, com 37%, seguida pela Argentina, com 29%.
Em comunicado, o Copom informou que a redução é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para próximo da meta. O colegiado também afirmou que a decisão considera a necessidade de reduzir as oscilações da atividade econômica e contribuir para o emprego.
O Banco Central destacou, porém, que o cenário internacional continua incerto, especialmente por causa dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a política monetária das principais economias. A alta do petróleo também pode pressionar os preços dos combustíveis e a inflação brasileira.
As próximas decisões dependerão da evolução dos preços, das projeções de inflação e dos riscos para a economia. As mudanças na Selic costumam levar de seis a 18 meses para produzir seus efeitos mais amplos sobre o consumo, o crédito e a atividade econômica.
A projeção do mercado financeiro é de que a Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano, o que indicaria mais um corte até o fim do ano. Mesmo assim, as estimativas de inflação para 2026, 2027 e 2028 continuam acima da meta central de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O intervalo de tolerância vai de 1,5% a 4,5% para a inflação acumulada em 12 meses.
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