Resultado negativo acumulado no primeiro semestre chega a R$ 92,2 bilhões; antecipação de precatórios influenciou o aumento das despesas
Foto: Edu Andrade/Ministério da Fazenda
As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional. O resultado representa uma piora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 46,3 bilhões, considerando a correção pela inflação.
O déficit primário ocorre quando as receitas arrecadadas pelo governo ficam abaixo das despesas, sem considerar os juros da dívida pública. Em junho, a receita líquida alcançou R$ 195,2 bilhões, com crescimento real de 10,3%, enquanto as despesas somaram R$ 243,3 bilhões, alta de 9% acima da inflação.
Segundo o Tesouro Nacional, o resultado negativo foi provocado principalmente pelo déficit da Previdência Social, que chegou a aproximadamente R$ 50,5 bilhões. O Tesouro e o Banco Central, por outro lado, apresentaram resultado positivo conjunto de cerca de R$ 2,3 bilhões no mês.
Entre as despesas que mais cresceram estão os gastos do Poder Executivo sujeitos à programação financeira, os créditos extraordinários, os benefícios previdenciários, o abono salarial, o seguro-desemprego e as despesas com pessoal. Na arrecadação, houve crescimento de tributos como IPI, Cofins e Imposto de Importação, além das receitas relacionadas à exploração de petróleo e outros recursos naturais.
No acumulado entre janeiro e junho, o déficit primário chegou a R$ 92,2 bilhões, diante de um resultado negativo de R$ 11,3 bilhões no mesmo período de 2025. A diferença está relacionada principalmente à antecipação do pagamento de precatórios, realizada em março, além do avanço de despesas previdenciárias, créditos extraordinários e outros gastos públicos.
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto, com margem de tolerância que permite resultado zero. No entanto, a legislação autoriza a retirada de determinadas despesas do cálculo, incluindo parte dos precatórios. Com os abatimentos previstos, o governo estima encerrar o ano com déficit efetivo próximo de R$ 52 bilhões, mas dentro do intervalo considerado para o cumprimento da meta.
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