No Dia do Trabalhador, conhecemos a história de quem atravessou oceanos e fronteiras para encontrar na Cidade Azul a dignidade de um novo começo
Foto: Ilustrativa/ Magnific
O Dia do Trabalhador costuma ser uma data de reflexão sobre conquistas e direitos. Mas, para um grupo cada vez maior de pessoas em Tubarão, a data celebra algo ainda mais significativo: a liberdade.
É o caso de Abdul, natural de Gana, na África. Há apenas sete meses em solo brasileiro, ele hoje integra o setor industrial da cidade. Para quem o vê focado na linha de produção, talvez não imagine que o sorriso no rosto carrega o alívio de um sonho de infância.
"O Brasil é um dos países que protegem os direitos humanos. Eu queria estar aqui desde criança", conta Abdul. Ao ser questionado sobre o que o emprego mudou em sua rotina, ele resume em uma palavra que, para muitos de nós, nunca foi posta à prova: "Conquistei a liberdade que sempre quis".
O acolhimento que vai além do papel
A história de Abdul é uma entre centenas. Segundo Lilian Folchini Gonçalves, gestora da proteção social básica da Secretaria de Assistência Social de Tubarão, o fluxo é intenso. Somente no primeiro trimestre deste ano, o município realizou 199 atendimentos a imigrantes. Hoje, 43 famílias são acompanhadas de perto pelos CRAS da cidade.
"Eles chegam buscando melhores condições de vida. A maior incidência hoje é de venezuelanos, seguidos por naturais da Colômbia, Cuba, Gana e Haiti", explica Lilian.
O trabalho da assistência social é o primeiro porto seguro, já que regulariza documentos junto à Polícia Federal, faz o Cadastro Único para programas sociais e, com a chegada do inverno catarinense, supre necessidades básicas que o clima tropical de seus países de origem não exigia.
"Muitos chegam sem cobertores ou roupas de frio. Eles precisam de proteção contra o clima para poderem recomeçar", conta a assistente social.
A ponte entre a vontade e a oportunidade
Se a prefeitura faz a base, entidades como a Cáritas Diocesana de Tubarão constroem as pontes para o mercado de trabalho. Sayonara Menta de Freitas, assistente social da Cáritas, vive o dia a dia desse "braço estendido" da Igreja Católica. Ela explica que a barreira mais alta nem sempre é a qualificação técnica, mas o idioma.
"As empresas se dispõem a ensinar o serviço, mas quem fala espanhol acaba tendo mais campo no comércio e na indústria", revela Sayonara.
Para derrubar esse muro, a Cáritas mantém convênios que oferecem aulas de português, do nível iniciante ao avançado, além de uma professora voluntária para quem fala inglês.
O acompanhamento vai desde garantir as vacinas e o número do PIS até orientar sobre como funcionam os direitos e deveres de um trabalhador no Brasil.
"Nós acompanhamos a pessoa até a vaga com a disposição de estar junto no período de experiência. Também orientamos sobre vagas em creches, o que viabiliza que as mães trabalhem sabendo que seus filhos estão em um bom lugar", afirma Sayonara.
O sonho do reencontro
Para a economia de Tubarão, esses novos trabalhadores preenchem vagas e ajudam a cidade a crescer. Para Abdul, o esforço diário na fábrica tem um objetivo muito claro, que vai além do salário no fim do mês.
Quando perguntado sobre o que espera para o futuro na Cidade Azul, ele não fala em bens materiais ou cargos altos. O plano é simples e movido pela saudade.
"Meu maior sonho é ter a oportunidade de trazer minha família para cá. Quero que a gente comece uma vida nova juntos aqui. É por isso que estou trabalhando", conta.
Neste 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, a trajetória de Abdul e o empenho de profissionais como Lilian e Sayonara lembram que o trabalho é, antes de tudo, o que permite a alguém planejar o amanhã, independentemente de onde essa pessoa tenha nascido.
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