Entidade e suas 55 associações nacionais afirmam que seleções europeias ficarão fora dos torneios enquanto proposta não for abandonada
Divulgação
A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou nesta quinta-feira (30) que suas 55 associações nacionais não participarão de competições organizadas pela FIFA enquanto permanecer em discussão a proposta de transferência de participações em torneios, incluindo a Copa do Mundo, para investidores privados.
A reação ocorre após a FIFA e o presidente da entidade, Gianni Infantino, anunciarem, na terça-feira (28), planos para criar uma subsidiária com participação de capital privado. A nova empresa teria o controle dos direitos comerciais e operacionais de competições organizadas pela FIFA, entre elas a Copa do Mundo, permitindo que investidores externos passassem a ter participação nos resultados financeiros desses torneios.
Em comunicado conjunto, a entidade europeia afirmou que a decisão foi tomada de forma unânime. A UEFA considera que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento e defendeu que a competição representa um patrimônio construído por jogadores, seleções e torcedores ao longo de gerações.
A organização também criticou a forma como a proposta teria sido elaborada. Segundo o comunicado, o projeto foi desenvolvido sem consulta adequada às entidades responsáveis pela administração do futebol e chegou próximo de uma aprovação sem debate amplo.
Para a UEFA, a entrada de investidores privados poderia alterar permanentemente a gestão das competições. A entidade argumenta que decisões sobre calendários, formatos e o futuro do futebol passariam a sofrer pressão pela busca de retorno financeiro aos acionistas.
O comunicado afirma ainda que os interesses de associações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores não podem ficar subordinados aos objetivos financeiros de investidores externos.
Diante da situação, a UEFA informou que nenhuma seleção de suas associações filiadas disputará competições da FIFA enquanto a proposta continuar em discussão. A participação só será retomada caso o projeto seja totalmente abandonado e a FIFA apresente garantias de que não permitirá a propriedade privada de sua governança ou de suas competições.
“A Copa do Mundo pertence ao futebol e não está à venda”, reforçou a UEFA no encerramento do comunicado.
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