Leão do Sul conquistou 25 dos 27 pontos no returno, ficou 13 partidas sem perder e encerrou um jejum de 68 anos; Rogério Corrêa e Diego Cope tiveram contratos renovados
Foto: Murilo da Rosa
No dia 13 de maio, o Hercílio Luz deixou o gramado do Estádio Aníbal Torres Costa derrotado pelo Blumenau por 1 a 0. Era o segundo revés do clube nas primeiras cinco rodadas da Série B do Campeonato Catarinense. Naquele momento, o caminho de volta à elite ainda parecia cercado de dúvidas.
Aquela, porém, seria a última derrota do Leão do Sul na competição. A partir dali, foram 13 jogos de invencibilidade, com 11 vitórias e dois empates. Uma arrancada que levou o Hercílio da quarta colocação ao título estadual, ao acesso e ao fim de uma espera de 68 anos por uma nova taça.
A equipe encerrou a Série B com 42 pontos, 13 vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Foram 35 gols marcados e dez sofridos, números que garantiram ao clube a melhor defesa do campeonato e um aproveitamento de 77,8%.
A conquista teve um peso ainda maior pelo que havia ocorrido poucos meses antes. Em 2025, o Hercílio terminou a primeira divisão estadual na última colocação e foi rebaixado. Na Série B, disputada em pontos corridos, somente o campeão garantiria o acesso. Não havia mata-mata ou uma segunda vaga disponível.

Da irregularidade à liderança
O campeonato começou com vitória por 4 a 1 sobre o Jaraguá, no Aníbal Costa. Depois, o Hercílio empatou sem gols com o Metropolitano e perdeu por 1 a 0 para o Fluminense, em Joinville.
A equipe reagiu com uma goleada por 6 a 0 sobre o Guarani, mas voltou a tropeçar diante do Blumenau. Após cinco rodadas, o Leão somava sete dos 15 pontos possíveis e ainda buscava regularidade.
A recuperação começou com a vitória por 1 a 0 sobre o Juventus, fora de casa. Na sequência, o Hercílio venceu o primeiro clássico diante do Tubarão por 2 a 0, empatou por 2 a 2 com o Caravaggio e superou o Nação por 2 a 1.
Mesmo sem voltar a perder, o clube encerrou o primeiro turno apenas na quarta colocação, com 17 pontos. Blumenau e Metropolitano tinham 19, enquanto o Caravaggio aparecia com 18. A distância era pequena, mas o cenário exigia um returno praticamente perfeito.
Foi exatamente o que aconteceu.
O Hercílio conquistou 25 dos 27 pontos disponíveis na segunda metade da competição. Foram oito vitórias e apenas um empate, com aproveitamento de 92,6%.

A sequência de oito triunfos consecutivos começou diante do Nação e passou por Jaraguá, Metropolitano, Fluminense, Guarani, Blumenau, Juventus e Tubarão. Nesse período, o time marcou 18 gols e sofreu apenas quatro.
Entre os resultados mais marcantes esteve a vitória por 3 a 0 sobre o Metropolitano, concorrente direto pela liderança. O Leão também protagonizou uma reação diante do Fluminense: saiu perdendo por 2 a 0, mas virou a partida para 4 a 2 no Aníbal Costa.
Contra o Blumenau, o Hercílio devolveu a derrota sofrida no primeiro turno ao vencer por 2 a 0 fora de casa. No segundo clássico contra o Tubarão, o time repetiu o placar de 2 a 0 e deixou o título muito próximo.
A campanha do campeão
Em 18 rodadas, o Hercílio Luz terminou com 13 vitórias, três empates e duas derrotas. O time marcou 35 gols, sofreu dez e fechou a competição com saldo positivo de 25.
A força defensiva foi um dos pilares da conquista. O Leão passou dez partidas sem ser vazado e sofreu uma média de apenas 0,56 gol por confronto.
No ataque, Alan James e Luan Santos foram os principais goleadores da equipe, com sete gols cada. Ao todo, 13 jogadores diferentes balançaram as redes, demonstrando a participação coletiva na campanha.
O desempenho também foi equilibrado dentro e fora de Tubarão. No Aníbal Costa, foram sete vitórias, um empate e uma derrota. Como visitante, o Hercílio conquistou seis vitórias, dois empates e sofreu apenas um revés.
O título foi confirmado no dia 22 de julho. Diante de 2.811 torcedores, o empate em 0 a 0 com o Caravaggio garantiu matematicamente a taça e o retorno à primeira divisão estadual.
Mesmo com o objetivo alcançado, o campeão encerrou a competição com mais uma vitória. Na última rodada, o Hercílio saiu atrás diante do Nação, mas virou a partida para 2 a 1 e chegou aos 42 pontos, quatro a mais que o vice-campeão Metropolitano.

Fim do jejum e continuidade do projeto
A conquista encerrou uma espera de 68 anos. Antes de 2026, os últimos títulos oficiais do Hercílio Luz haviam sido os Campeonatos Catarinenses de 1957 e 1958.
Mais do que apagar o rebaixamento da temporada anterior, a campanha recolocou o Leão do Sul na elite e confirmou o resultado de um projeto baseado na reconstrução do departamento de futebol.
Após o título, o clube anunciou a renovação do contrato do treinador Rogério Corrêa até o fim do próximo Campeonato Catarinense. Contratado com a missão de conquistar o acesso, o técnico seguirá no comando da equipe no retorno à primeira divisão.
O diretor executivo Diego Cope também teve o vínculo renovado, neste caso até o fim da temporada de 2027. O dirigente participou da montagem do elenco e da estruturação do projeto esportivo ao lado do presidente Vinicius Gaidzinski.
As permanências demonstram a intenção de manter a base do trabalho que conduziu o Hercílio ao título. Depois de transformar a frustração do rebaixamento em uma campanha histórica, o próximo desafio será consolidar o clube novamente entre os principais times de Santa Catarina.
Da queda à taça, passaram-se poucos meses. Dentro de campo, o Hercílio precisou transformar a irregularidade em consistência, a pressão em confiança e o planejamento em resultado. O Leão do Sul está de volta à elite. E voltou como campeão.

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