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Vinícios Redivo
29/05/2026 18h36

De Ferragens a Elite: A história de Willian Muraro, o corredor que nasceu tarde e foi longe

Esporte é história. É suor, é escolha, é virada de vida. E aqui na Região da Amurel, essas histórias existem aos montes, só precisam ser contadas.


Meu nome é Vinícios Miranda Redivo, tenho 20 anos, sou estudante de jornalismo na Faculdade Uniasselvi, formado em Técnico em Marketing pelo Senac Tubarão, e faço parte do Grupo Hiper de Comunicação. O esporte sempre fez parte da minha vida, não só pelos resultados, mas pelas histórias que ele carrega. Por isso, a partir de agora, toda semana vou trazer nesta coluna um olhar sobre o mundo esportivo, seja um atleta daqui da nossa região, uma história que repercutiu no Brasil ou um acontecimento lá fora. Afinal, esse universo não tem fronteiras, e essa coluna também não. 


E não poderia começar de forma melhor.


Willian Muraro da Silva tem 37 anos, nasceu no bairro Vila Esperança, em Tubarão, e nunca saiu de lá. "Nasci, cresci, moro aqui e pretendo viver o resto da vida na nossa cidade", disse ele, sem hesitar. Mas a vida que ele construiu dentro do esporte poderia ser roteiro de filme.

 

Por 11 anos, Willian jogou futebol amador. Sonhava com os campos, treinava, jogava todo final de semana. No trabalho, tocava uma loja de ferragens voltada para marcenaria. A corrida nem passava pela cabeça. Foi um tio, Giuseppe, e uma prima, Morgana, que ficaram insistindo: "vamos correr, vem conhecer". Willian sempre recusava, porque final de semana era dia de jogo.


"Foi amor à primeira vista. Vi a galera indo pro pódio, aquela comemoração, aquela loucura, e pensei: é isso que eu quero. Vou buscar ganhar esses pódios."


Na segunda corrida que disputou, já subiu ao pódio.


O que veio depois foi uma evolução que surpreendeu até quem já corria há anos. Em oito meses de treino, Willian estreou na meia-maratona e cravou 1h15min40, um tempo que atletas com anos de estrada levam muito mais tempo para conquistar.

 

Em 2019, foi campeão da Mizuno Uphill, prova de 25km na Serra, e o resultado abriu portas que ele nem imaginava. No fim do mesmo ano, foi aceito na Elite da famosa Corrida de São Silvestre, em São Paulo, apenas dois anos depois de calçar o tênis de corrida pela primeira vez.


Mas a história não para nas corridas de rua. Convidado pela Associação Recreativa de Atletismo de Tubarão (ADRA), Willian experimentou o Steeplechase, a prova dos 3 mil metros com obstáculos, que exige velocidade, força e salto. Mesmo sem estrutura de pista, foi três vezes vice-campeão estadual e conquistou o índice para o Troféu Brasil três anos seguidos. "Eu treinava com o que eu tinha, sem muita estrutura, mas consegui me destacar assim mesmo", lembrou.


No dia 25 de maio de 2026, nas comemorações dos 156 anos de Tubarão, Willian escreveu o capítulo mais bonito da sua carreira. Venceu a Maratona de Tubarão e bateu o recorde histórico da prova com o tempo de 2h27min55, debaixo de chuva, com 94% de umidade e vento contra no retorno.


"Eu tinha escrito num papel as passagens que ia fazer. Errei por 6 segundos, fiz um pouquinho mais forte", contou, sorrindo. "Vencer em casa, com minha família, com meus alunos, com o pessoal de Tubarão... não consegui nem dar entrevista quando cruzei a linha de chegada. Não conseguia nem falar, de tão feliz e emocionado."


Além de atleta, Willian é treinador. Fundou a Sprintei Assessoria e hoje tem cerca de 150 alunos espalhados pelo Brasil e até fora do país. O que começou com pedidos de planilha de alguns amigos virou profissão e missão.


"A parte que mais me motiva não é ver os números, o pace. É ver a transformação na vida de cada um. Uma cura de depressão, uma válvula de escape. Isso pra mim não tem preço."


A conciliação entre atleta de elite e treinador? Tranquila, segundo ele. "Eu respiro corrida o dia inteiro. Monto planilha, dou feedback, e no meu tempo livre faço meu treinamento. Já virou natural."


Quando perguntei o que ele diria pra alguém que quer começar a correr mas acha que já é tarde, Willian foi direto e pessoal.


"Eu tive treinadores que me disseram que onde eu pensava que ia chegar, que eu comecei depois de velho. Mas a cabeça manda muita coisa. Se tu crer, se tu buscar, nunca é tarde. Minha mãe começou a correr por minha causa, com 60 e poucos anos. Hoje ela já corre 10, 12 quilômetros. Nunca é tarde pra começar."


Os objetivos pela frente? Melhorar as marcas, fazer um ciclo focado na maratona e conquistar a medalha que ainda falta: os Jogos Abertos de Santa Catarina. "Já fui quarto lugar, belisquei a medalha. É uma coisa que ainda busco."


E representar Tubarão, sempre. Já recebeu convites de outras cidades para competir com outras cores. Recusou todos.


"Não teria graça ser morador de Tubarão e representar outra cidade. Quero levar essa bandeira pro estado todo, pro Brasil. Aqui é um celeiro de grandes atletas, e isso pra mim não tem preço."


Essa é a primeira edição da minha coluna no Portal Hora Hiper. Toda semana, um novo tema, uma nova história do mundo esportivo. Se você tiver uma sugestão ou quiser trocar uma ideia, pode me chamar nas redes sociais.

Vinícios Redivo

Esporte

Vinícios Miranda Redivo, 20 anos, natural de Tubarão. Formado em Técnico em Marketing pelo Senac Tubarão e estudante de jornalismo na Faculdade Uniasselvi. Integrante do Grupo Hiper de Comunicação, tem o esporte como paixão e aposta no jornalismo esportivo como caminho profissional. Nesta coluna, traz semanalmente um olhar sobre o mundo esportivo, das quadras e pistas da Região da Amurel aos palcos do esporte nacional e internacional.

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